domingo, 20 de maio de 2012

20 DE MAIO DE 1958

20 de Maio de 1958, a minha Mãe faz hoje quarenta e cinco anos, o Pai dela e meu Avô agonia no quarto do primeiro andar, eu descasco ervilhas na cozinha, com a porta aberta para o quintal, pois a electricidade ainda era em pó, e o candeeiro a petróleo não dava luz suficiente para ver se aparecia alguma ervilha com bicho, chove torrencialmente e os trovões são com tal intensidade que começa a cair pedaços da velha casa no quarto onde está o meu Avô.

A minha Mãe sobe lá para ver se algum pedaço o tinha atingido, e nesse momento faz mais um  relâmpago e trovão em simultâneo, fico encadeado e assustado e corro para junto da minha Mãe Mas não vejo nada e caio nas escadas, consigo subir para junto deles e nesse momento ouvimos gritos na rua era a minha Prima Maria Amélia que corria estrada acima para ir chamar o «Tio» Fernando Dionísio á Igreja do Senhor dos Passos (era o Sacristão) porque tinha caído um raio na casa dele, disse-lhe que ia com ela e assim foi, chegados á Igreja sem fôlego o «Tio Fernando» estava ajoelhado em frente ao altar não havia mais ninguém dentro da Igreja e dissemos-lhe o que tinha acontecido, perguntou se tinha acontecido alguma coisa a alguém da casa, e como respondemos negativamente, ficou onde estava, recebeu a notícia com uma calma que nos deixou de boca aberta.

Saímos direitos a casa dele para ver os estragos, o raio tinha entrado pela chaminé, deu umas voltas pela cozinha, passou junto ao Afilhado dos donos da casa que vivia com eles e que fazia a barba num lavatório que ali estava, passou próximo duma caixa de pólvora que estava em cima dum armário e que teria sobrado da abertura dum poço em que foi utilizado esse material para partir pedras, e voltou a sair, foi descoberto dias depois solidificado como não podia deixar de ser debaixo duma carroça num telheiro no pátio da casa.
Cheguei a casa algum tempo depois para dar conhecimento á minha Mãe dos estragos causados pelo raio, e o meu Avô tinha acabado de morrer.
Passaram 54 anos, e hoje vim recordar o acontecido com Vizinhos que partilharam esse dia comigo.

sábado, 19 de maio de 2012

Caminhada pelo Estoril

Hoje mudei o sentido de marcha e fui até ao Estoril matar saudades, já há bastante tempo que não dava uma volta por lá, e hoje calhou.
Fundeei o Iate na Baia de Cascais como se pode ver numa foto, e os meus Marinheiros trouxeram-me a terra no Bote Zebro IV que amarou na muralha frente ao Tamariz, entreguei-lhes um saco de dinheiro para se irem divertir enquanto eu fazia a minha caminhada, com o aviso de não se embebedarem pois esta rapaziada com um grão na asa, é fogo, e depois cá estou eu para pagar os prejuízos, despedi-mo-nos com um até logo e lá fui desenferrujar as articulações porque isto de andar muito tempo na água deixa um gajo um bocado preso de movimentos.

Assim subi a Avenida paralela ao Casino com a firme ideia de lá ir jogar um bocado á roleta, mas os gajos abrem só de tarde e á noite, pelo que tive de trazer de volta o dinheiro que estava disposto a  lá deixar,  fica para outra ocasião, ele não azeda, só espero não ser assaltado antes de voltar ao Iate, que isto de andar com muito dinheiro nos dias de hoje é complicado.
Desci pela outra rua paralela ao Casino passei na passagem subterrânea da Estação da C.P. do Estoril e entrei no Passeio Marítimo direito a Cascais, aqui "Observei" uma exposição de quadros alusivos ás Praias do Concelho, em grandes painéis afixados na muralha de suporte da linha do caminho de ferro.

Chegado a Cascais fiz a agulha e regressei ao Estoril, até á Praia da Azarujinha, local que frequentei quando trabalhava para os Suecos em Alcoitão, especialmente quando alugaram a casa a uma Americana mais maluca que eu, e quando esta me enchia o saco vinha até aqui com a minha Filha arrefecer um pouco para não partir a loiça toda, aos Domingos único dia de folga para mim e para a minha Mulher também vínhamos por aqui almoçar num Restaurante que agora serve comida Grega, ainda fiz um gesto de aproximação ao renovado Restaurante, mas lembrei-me dos problemas porque está a passar o Povo Grego, e não tive coragem de entrar, fica para a próxima.

Assim terminada a caminhada e com o baú cheio de recordações, encaminhei-me para a muralha onde tinha deixado o Bote que me levaria de volta ao Iate, mas nada, só encontrei o lugar! do Bote nem sinais, ainda atirei um  very-light, para me virem buscar a terra no caso de terem voltado para o Iate, mas nada, os gajos embebedaram-se e partiram por esse Oceano sem deixar rasto, desanimado meti os pés a caminho por essa Estrada Marginal e voltei para Porto Salvo, não sem antes parar junto ao Restaurante Saisa em Santo Amaro de Oeiras para tirar umas fotos, do Bugio e da «outra banda»  Costa da Caparica concretamente que aqui mostro.

                                GRAND OLE OPRY ANOS 50 DO SÉCULO PASSADO

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os meus pássaros

NOTA:  EM CIMA Á ESQUERDA PODEM CLICAR NAS PALAVRAS "O MORTO VIVO" PARA ACEDER AO BLOG DUM AMIGO
Antes de me aposentar, nunca pensei em que me iria ocupar quando chegasse o momento de arrumar a «ferramenta» e assim quando chegou o dia, andei uns tempos á deriva sem saber como ocupar tantas horas que tinha á minha disposição, nunca tinha tido outra ocupação de trabalho ou lazer, que não fosse o dia a dia da minha ocupação profissional, pelo que foi complicado, aquilo que eu pensava que era um alivio passou a ser um fardo, mas tinha que ultrapassar o obstáculo custasse o que custasse.


Procurar outro serviço estava fora de questão, tinha chegado ao fim da estrada, e se quisesse continuar a trabalhar não me aposentava, continuava onde estava onde fui sempre bem tratado, ainda coloquei a hipótese de voltar para a Terra mas a Patroa não esteve disponível para isso, preocupada com o Filho ainda a viver connosco, assim meti mãos á obra e fiz uma horta onde plantei diversos produtos horticolas, o problema foi que a zona está infestada de coelhos e os gajos comiam tudo o que eu plantava, apesar de ter colocado uma vedação eles devem ter tirado algum curso de saltos de trampolim e continuavam a comer tudo o que apanhavam, tive que acabar com a horta.


Comecei a fazer umas caminhadas o que já me ocupava mais algum tempo, para além de fazer bem á saúde, era mais uma ocupação.
Depois arranjei uns pássaros, primeiro periquitos e mandarins, comprei umas gaiolas, uns casais  para fazerem criação coloquei-os em gaiolas debaixo do telheiro aqui no quintal, os pássaros rapidamente começaram a fazer criação e já me ocupavam mais algum do tempo disponível, já tinha mais de uma dezena de de pássaros, quando uma manhã verifico que me tinham desaparecido quase todos, as gaiolas estavam  fechadas e fiquei sem saber o que terá acontecido.

Como fiquei sem periquitos e mandarins mudei de raça e comprei uns canários, depressa começaram a fazer criação até que começaram também a desaparecer, mas desta vez foi descoberto o mistério, as cobras entravam nas gaiolas comiam, e iam á vida, até que o meu Filho mais novo e eu começámos   a dar-lhe caça, matámos algumas mas não acabámos com elas e a solução foi construir gaiolas com uma rede muito fina onde elas não conseguissem entrar, e assim a coisa começou a resultar, já dei mais de uma centena de canários, mas continuo sem distinguir os sexos o que é uma chatice, o meu Amigo e ex-Camarada Fuzo:  Piaça que é um criador de se lhe tirar o chapéu já me deu umas lições mas não vou lá, «burro velho não aprende línguas» assim hoje trago aqui alguns dos meus pássaros que também têm direito a aparecer na Internet. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Agradecimentos

Desde muito cedo que a minha vida ficou feita em cacos, as razões para que isso tenha acontecido não vêm agora ao caso, nem terá interesse pois vidas em cacos é o que há mais e as razões são muitas, o que interessa agora é que tenho-me empenhado em apanhar esses caos que ficaram espalhados por aí, alguns não vou conseguir reunir nunca, mas apraz-me aqui agradecer a uma série de Pessoas que me ajudaram a encontrar alguns dos «pedaços» que andavam por aí perdidos, e sem estas ajudas não os conseguiria encontrar.

Em primeiro lugar e pela ordem como as coisas aconteceram á minha Filha, que ao se dar conta da minha incapacidade para sozinho encontrar o fio á meada se propôs ajudar nessa tarefa, assim lembrou-se de fazer o pedido de alguns dos dados pretendidos ao Pároco de Vila Verde dos Francos, Padre: Rui Pedro Trigo, que rapidamente endereçou o assunto ao seu Coadjutor, Diácono: Sr. Alfredo Bento que amavelmente se disponibilizou para procurar na «arca das antiguidades» a ajuda pedida. Obrigado aos dois Homens da Igreja.
Este assunto foi tratado sem o meu conhecimento, pelo que foi uma surpresa agradável quando tomei conhecimento do resultado do mesmo.

Ao mesmo tempo em que a Filha comunicava com a Igreja Paroquial da Terra, eu nas minhas visitas rápidas que lá faço semanalmente, e quando já tinha conhecimento do resultado da parte do Diácono, pedi ao meu Amigo Joaquim Vicente se podia encontrar-se com este para receber os elementos entretanto recolhidos, o que este acedeu com agrado, ao mesmo tempo disponibilizou-se para ir á Junta de Freguesia  ver da possibilidade de lá arranjar mais alguns elementos relativos ao que eu pretendia saber, foi dito e feito, com a preciosa ajuda da Funcionária Maria Eugénia, que lá andou na arca das antiguidade e me arranjou os elementos pretendidos, obrigado aos dois, embora o já tenha feito pessoalmente, aqui fica publicamente esse agradecimento.
E assim lá vou juntando alguns dos cacos que falei no início e que oportunamente aqui trarei, em especial para as minhas Irmãs, que também perderam alguns dos cacos que agora foram encontrados.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Caminhada acidentada

Pois foi, tal como diz o titulo esta caminhada não foi totalmente bem sucedida, é o que faz ser-mos aventureiros, sim não era só eu desta vez! tive a companhia do meu Amigo Vicente, ele com mais anos de Estados Unidos que de Portugal, eu, um quase Lisboeta a metermo-nos por caminhos nunca antes percorridos, (por nós é claro) mas vamos á caminhada, partimos como é habitual do "Cafezada" com o tiro de partida dado também como sempre pelo Homem que nos fornece o «Doping» para nos dar energia, o nosso Amigo Victor, com roupas de Inverno pois estava fresquinho, mal sabíamos o que nos esperava.

Seguimos junto ao Palácio, Junta de Freguesia, e daqui pela estrada que vai dar a Cabanas Torres, a primeira paragem aconteceu ao fim de poucos metros para fotografar uma área de lazer que segundo se pode ler no local foi erigida para os "Caçadores e outras boas Pessoas", como nos consideramos pertencer a este último grupo, apreciámos o local, é pena que não esteja junto á Estrada Nacional, pois teria com certeza mais «clientela» mas é apenas um pormenor, outra coisa ainda, tem um bebedouro, com a nobre intenção de saciar algum  transeunte, mas a água é que não estava lá, mais um pormenor de menos importância.

Mas já agora Sr. Presidente da Junta, não tenho a certeza se será esta Entidade a responsável pelo local, mas caso afirmativo, dê um jeito e mande dar água ao Pessoal que por ali passa, e já agora o bebedouro está escondido atrás da placa indicativa do local e que dá para a rua, talvez até seja de propósito, ali escondidinho não é visto por ninguém e assim também  não se vão queixar de não ter água, nós sabemos que o ano vai seco, e há que poupar, talvez seja essa a razão, depois há gente que bebe água de empreitada e ficam sujeitos a apanhar alguma barriga de água, pensando melhor talvez seja melhor ficar assim, se por acaso tiver conhecimento desta «prosa» não ligue, é apenas deitar conversa fora.

Seguimos daqui já em pleno Verão largando algumas peças de roupa a cada passo passando pelos Casais da Almónia., e Portela do Sol, aqui fizemos a agulha para o caminho que vai dar a Penedos, com a intenção de seguir junto aos Moinhos de que não recordo o nome e daqui iríamos ter aos  Casais da Portela, pois era para ser assim, mas com o abandono das terras antes cultivadas também os caminhos que levam a essas terras se foram tapando de arbustos, silvas e outros obstáculos, impedindo a progressão destes dois caminheiros, tendo que fazer marcha atrás coisa que nunca antes tinha acontecido, mas desta teve de ser mesmo, ainda se abalançámos a uma descida tipo rapel, mas de comum acordo não arriscámos mais e retrocedemos.

Arrepiámos caminho e encontrámos maneira de chegar á estrada que nos levaria de volta a casa, ainda passámos um pequeno ribeiro mas já nada nos fazia parar, mas pela última foto em que se vê o Vicente de costas dá para ver que já ia mais para lá que para cá, todo desfraldado parecia saído de um túnel de vento de ensaio dos carros de corrida, desta fostes apanhado.
Ainda fomos passar junto ao local onde é suposto construírem a nova Escola, e como escrevi a semana passada, as obras continuam paradas, hoje consegui chegar á fala com um Funcionário, o único no local, que informou que as obras têm estado paradas por causa da chuva, espera-se que assim seja, e não falte mas é aquela coisa com que se compram os melões.

No final do percurso contabilizei sete quilómetros e uns metros, o Vicente não acreditou e eu também não, a prática de outras caminhadas dizia-nos que eram para aí cerca de dez os quilómetros percorridos, pensei que seria avaria do conta quilómetros, mas pensando bem calculo que o que se passou foi o seguinte: esta geringonça marca quilómetros mas estes são calculados pelos passos dados, acontece que naquelas descidas e subidas que fizemos aquilo nem se pode considerar passos, mas antes passinhos tal era o declive das encostas, assim os dados que o aparelhómetro indica não eram os correctos, ficas esclarecido Vivente?



domingo, 13 de maio de 2012

Novos Exames da 4ª classe

Muito se tem falado e escrito nos últimos tempos sobre as novas provas da 4ª classe que aí vêm, como o meu «canudo» foi adquirido no tempo em que havia exame da 4ª classe nos idos de 1958, e porque me vieram parar ás mãos algumas das provas desses tempos e as provas propostas para agora, e sem saudosismos que não têm razão de ser numa matéria como esta, mas friamente lendo aquilo que se propõe para Rapazes e Raparigas na casa dos dez anos de idade, parece-me uma coisa de brincadeira, recuso-me a aceitar que se tratem Crianças que dominam as tecnologias de olhos fechados com brincadeiras destas, aqui ficam as do passado em primeiro lugar e a seguir as que irão ser realizadas para o futuro.

Não acredito que estas provas sejam feitas com o intuito de formar Pessoas responsáveis desde tenra idade, se assim fosse não se obrigavam as Crianças a estudar idiotices como estas: «Qual foi a sensação que a gotinha de água experimentou ao subir no ar depois de o Sol a ter beijado na face?»
Ou esta maravilha: Na expressão «dava-lhe beijinhos» a palavra sublinhada refere-se: aos beliscões ás algas, ás Irmãs, ou aos peixinhos?
Confesso a minha ignorância na matéria, mas o bom senso e a experiência de vida diz-me que assim não vamos lá.
Tenho um Neto com seis anos, que se lhe colocarem á frente uma coisa destas é bem capaz de chamar idiotas aos «pais»  desta pseudo prova de aferição de conhecimentos, nem na Pré-Primária se deve admitir coisas sem nexo como as que aqui reproduzo.

                                                                           












E agora as provas para exame da 4ª classe a vigorar a partir de 2012/ 2013