terça-feira, 11 de março de 2014

"IDA Á TERRA ATRIBULADA"


Vida de reformado não é pêra doce, para quem suspira que chegue a sua vez de arrumar de vez com o levantar cedo e deitar tarde, vão ver que ainda se vão arrepender, não, não estou a pensar na guerra que o actual governo tem feito  a estes, (aos reformados e aos que estão para o ser) estou a pensar no que um pobre reformado tem de se sacrificar para arranjar com que se entreter nas vinte e quatro horas que tem o dia, no que me diz respeito tem sido uma luta sem tréguas, nunca aprendi a fazer renda ou bordados, não tenha pachorra para fazer sala em cafés ou similares, não vou á bola nem ao chinquilho, no Verão não vou á Praia, no Inverno não vou á neve, na Primavera não faço colheita de flores silvestres, e no Outono estou desejoso que chegue o Inverno para me aquecer na salamandra, a melhor descoberta do século 15 (antes de Cristo)!


Mas que raio de conversa fui eu buscar agora? Há já me lembro, é que hoje fui arranjar lenha para a dita, mas o melhor é começar do principio: Saí ás 5h35, cheguei a Queluz de Baixo e vejo dois carros da Policia parados na faixa da direita, pirilampos acessos assim como os quatro piscas da ordem, há um Policia na rua junto aos carros, que ao ver-me aproximar me faz sinal para abrandar, devagar já eu vinha pois os carros eram visíveis á distância, reduzo ainda mais e chego á velocidade do caracol, faço sinal de ultrapassagem e passo, andei 50 metros e observo um dos carros que estavam parados arrancar em grande velocidade, encosto á direita pensando que este ia acudir a algum acidente, mas o carro para ao meu lado, abro o vidro dou os bons dias, (embora ainda fosse noite) e o Policia pendura sem se digar responder ao meu cumprimento, interpela-me assim,; senhor condutor, não viu o meu colega manda-lo parar?


Não, o que vi foi «mandar-me» ir devagar, mas era para parar diz o cívico, então as minhas desculpas, estarei a ficar gagá e já não distingo os sinais, o carro patrulha arranca, anda mais 100 metros e atravessa-se na estrada, mas que merda é esta? Os gajos vão-me barrar? Não camarada, estás sempre como o teu pessimismo latente, é que mais á frente havia uma batida de dois carros, então está bem, está bem o caraças, então os gajos não me podiam, deviam informar do que se passava, e dizer-me para inverter a marcha? Fiz marcha trás, ainda pensando que os homens viessem atrás de mim, pois não esqueço que a marcha atrás é uma manobra de recurso e eu fiz para aí 70 ou 80 metros assim, o outro Policia que estava na rua ainda olhou para mim mas não me fez qualquer sinal pelo que segui por uma caminho alternativo, comecei bem o dia, e eu que andava seriamente a pensar ir á próxima manifestação dos cívicos para os apoiar na sua justa luta, assim já tenho de pensar duas vezes, a arrogância com que continuam a demonstrar não me vai convencer a vestir a sua camisola, pergunto-me até, porque razão não estaria o Policia com uma lanterna a regular o trânsito? Pois era noite, e á noite todos os gatos são pardos, talvez a crise já não permita usar esse auxiliar luminoso!


O que é que um aposentado faz a uma hora destas? É a pergunta que farão, pois ia a caminho de Vila Verde, onde cheguei por volta das 6h45, direitinho ao Montejunto para a caminhada da ordem, finalmente ao fim de vários Meses consegui fazer o percurso de terra batida, já sem água ou lama a manietar-me, depois a descida e a visita ao Victor do Cafezada onde «matei o bicho» e de seguida mãos á obra, tinha uma nogueira no quintal que não dava uma para a caixa, devia ser brava, (agora está mansa que nem um cordeirinho) e tinha  sentença lida já algum tempo, mas com o trambolhão que dei o ano passado fiquei com a asa direita deitada abaixo, e para azar meu é a única que me serve para alguma coisa.


Tenho adiado a execução da sentença, mas de hoje não podia escapar, e assim foi, enchi-me de brios e lá vai disto que amanhã não há, foi bota abaixo, fica para  a próxima o cortar em pedaços que caibam na salamandra, o que me vai permitir não desembolsar uns Euros na compra de lenha para este ano, casa arejada e regresso a Vila Fria, e mais um dia ganho, no final do Mês o Passos irá dizer que estou  viver para além das minhas possibilidades e vai fazer-me mais um corte, que se lixe, já estou por tudo, desde que não me chateiem a cabeça, já passei bem pior e resisti, não vai ser este aprendiz de feiticeiro que me vai derrubar, como bem, mas sou de boa boca, se o gajo está convencido que me lixa pela boca está enganado, aprendi com os Alentejanos a sobreviver da terra, a conversa já vai longa fico-me por aqui.

sexta-feira, 7 de março de 2014

A ÁGUA QUE BEBEMOS


A meteorologia previa Sol com fartura para hoje, como sou um crédulo, acreditei na previsão e fiz-me á estrada para a minha caminhada, eram 6h30, fiz a volta dos tesos, isto é, desci a Porto Salvo, contornei a rotunda dos "pauzinhos ás cores", a segunda rotunda que dá para Vila Fria, entrei nesta Povoação, e casa, coisa pouca, três quilómetros contas redondas, esta distância não dá para nada, não posso esquecer que desde o Natal já cá cantam mais seis quilos, é obra, nem os porcos a comer bolota ganham tanto peso em tão pouco tempo, assim tenho que castigar mais o corpo se quero continuar a comer, caso contrário qualquer dia em vez de andar, rebolo, e assim lá fui até ao Parque dos Poetas, ia até um  pouco distraído com os meus pensamentos quando começo a levar com água em cima do canastro, gaita então disseram que não chovia? Afinal não é chuva, é a rega, mas tem chovido tanto e já estão  a regar?


Tive de fazer a pergunta sacramental, como leigo na matéria perguntei á Senhora Jardineira, (eram duas as Funcionárias que encontrei por ali á mão de semear) diga-me se a relva já estava a pedir água? Não Sr. é uma experiência que estamos a fazer para ver se isto funciona, para acertar-mos as agulhas para o Verão, que seja, mas se o Parque abre por volta das nove, não podiam fazer isso quando este ainda está fechado aos Visitantes? Não ouvi a resposta, mas também não era necessário, já sei o que a casa gasta, para a próxima levo mas é o chapéu de chuva, já não me voltam a apanhar desprevenido.
Mas estou no Parque dos Poetas, e encontro gravados no pavimento poemas escritos por alguns dos Poetas com direito a estátua no local, e uma coisa que me deixa apreensivo, é a minha dificuldade em perceber o que lhes ia na alma quando os escreveram, juro que não entendo a grande maioria dos aqui expostos, em contraponto encontrei um ao acaso do Aleixo, que entendi perfeitamente, será por eu não ser um letrado, e o Aleixo era mais terra a terra? Ou estes aqui gravados são mesmo só para Poeta perceber? 


Mas por falar em água, aquela que jorra nas nossas torneiras, (afinal irmã gémea daquela que hoje me caiu no lombo,) fiquei surpreendido com uma noticia que li sobre a concessão que algumas Câmaras têm feito da exploração deste bem (que pensava era de todos nós) a empresas privadas, será que a nossa saúde está acautelada? Li que 2.3 milhões de Portugueses já são fornecidos por privados, (nada tenho contra os privados note-se), mas cada macaco no seu galho, a água que bebemos não pode ser entregue a gente que de higiene só sabe o que ouviu falar, nunca praticou, estou a falar dos Chineses, que segundo consta não serão muito pródigos em limpezas, e neste momento são eles e os Espanhóis que dominam este verdadeiro negócio da China, também não me sinto á vontade com os nossos vizinhos, como sabemos eles não nos gramam nem com molho de tomate, quem me diz a mim que um dia destes lhes dá na cabeça e colocam uma mistela qualquer na água, e um gajo vai passar o resto da vida de calças na mão?


Nunca pensei que os nossos eleitos pudessem ir tão longe, desculpam-se aqueles que entregaram a concessão aos privados da falta do vil metal para fazer frente a obras inadiáveis, pergunta de leigo, que fizeram aos milhões que entraram nos cofres dessas Autarquias ao longo destas décadas de democracia? Voaram com o temporal? Ou investiram em rotundas, festas, e obras para Inglês ver? Ainda não há muito ouvi o Ex-Presidente das Caldas da Rainha dizer que não devia um tostão, e acusando os Autarcas gastadores de o fazerem em obras nem sempre necessárias, pois também penso assim, e infelizmente já não são só os nossos anéis que estão a vender, são os dedos de todos nós que se vão, e como todos sabemos sem dedos não vamos mais poder tocar guitarra, que seria o acompanhamento mais digno numa marcha fúnebre por Portugal, que a pouco e pouco se vai finando.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

PRONTO, DESISTO!





Não dá, computadores, Internet, etc. não são para mim, destruo tudo o que me liga a essas tecnologias, ontem falei ao de leve sobre a minha luta para me ligar á Internet, hoje foi um disco externo que deu o peido mestre, não dá para continuar com a esta destruição maciça, que mais parece que ando a disparar as tais armas de destruição maciça que Bush, Barroso, Tony Blair e "&.Comp.  Cia. Ltda descobriram no Iraque, e destruo tudo á minha volta, os prejuízos têm sido incalculáveis, com esta luta que considero perdida, já me falta ânimo para continuar esta batalha, desisto, não dou mais o corpo ás balas!


Só nos últimos dias, as dores de cabeça que estas coisas me deram, já é o suficiente para arrumar de vez com esta história, das Internets Blogs, Facebooks e quejandos, quem me manda a mim  pôr a mão onde não devo? Há cerca de um Mês o portátil começou a negar-se a funcionar, só ligava quando lhe apetecia, até me fazia recordar alguns jogadores do Benfica que em certos jogos parece que já entram em campo cansados, andei para ali liga, desliga, já não sabia o que fazer ao bicho quando se fez luz nestes miolos cansados de tanto tentar ligar a coisa, e então lá fui verificar a data da compra do gajo, ainda não tem dois anos e já não quer bolir o filho da mãe, andei eu para aqui feito parvo sem perceber nada disto e afinal ainda está na garantia, eles que resolvam, e lá o fui entregar á Worten, o caso deve ser grave porque já lá o deixei á duas semanas e nem sinal dele, provavelmente recusa-se a voltar para casa, o filho da mãe!


Fiz então um peditório a nível Familiar para quando me desloco á Terra ter com que brincar, a Filha emprestou-me um router ó lá como se chama, o Neto mais novo um portátil daqueles pequenos, que é preciso uma lupa para ler nele, a velocidade do bicho também é devagar devagarinho, mas costuma-se dizer que quem não tem cão caça com gato, e a cavalo dado não se olha os dentes, e pensei numa solução, liga-lo ao monitor, como aliás faço com o meu portátil, mas qual quê, ando enguiçado, e não o consegui ligar, isto foi a semana passada, ontem fiz exactamenrte aquilo que diz outro antigo ditado, Homem prevenido vale por dois, agarrei no computador de secretária que utilizo aqui em Porto Salvo e convidei-o ir passear até Vila Verde, agora já não há desculpas para a coisa não funcionar.


Cheguei e liguei aqueles fios todos, e nada de Internet, o Router tem rede, mas o computador não o reconhece, andei horas naquilo, o tempo de chuva convidava a estar no quente da salamandra, e lá andei,  liga aqui, liga acolá, mas nada, até que já desesperado, me interrogava? Se isto funcionava em Porto Salvo porque não funciona aqui? Simples, a ligação é sem fios, e parece que os computadores de secretária não vêm preparados como os portáteis, tanta volta dei, que ao ligar um cabo U.S.B. para carregar o Router apareceu-me sinal do computador que já tinha acesso a uma rede, porreiro, ainda consegui ligar a coisa e escrever umas letras e carregar uma fotos, isto foi ontem, hoje quando regressei a Porto Salvo liguei aqui o computador, está a funcionar.
Ao seu lado tenho um disco externo onde tenho colocadas centenas de fotos, e vários documentos, que não recordo a sua importância, ainda estou nas nuvens, então não é que o gajo também se nega a abrir?




O computador não o reconhece, já o liguei ao tal portátil do meu Neto, e nada, a única coisa que pede é para o formatar, gaita, isso já eu fiz á tempos noutro computador e perdi tudo o que lá tinha, será isto normal? Então eu que até trato bem estas aparelhagens, não ralho nem praguejo, muito menos lhes dou porrada embora ás vezes me apeteça, e eles fazem-me isto? Desisto é demais para um pobre mortal que só quer passar uns minutos, ou horas tanto faz, lendo ou escrevendo, pesquisando coisas com interesse ou simplesmente jogando uma cartada para passar o tempo, já não dou mais para este peditório, a partir de agora vou dedicar-me á pesca, bem sei que também se perde material, mas as chumbadas e os anzóis têm custos muito inferiores, e sempre posso apanhar um peixito para o gato!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"A SAGA CONTINUA"

O Carlos Silva, num comentário que fez na mensagem anterior falava que a Esposa também sofre de Fobias, e como penso que ele não vai voltar a reler a anterior mensagem, deixo aqui mais algumas notas sobre o assunto.
Antes de mais tenho uma certeza, quem mais sofre com elas não são os próprios detentores da coisa, são antes os Familiares mais próximos, os que vivem em comum com ele, no meu caso até não quer dizer que me habituei, mais fui ao longo do tempo aprendendo a viver com a moléstia, e a Família? Muitas vezes pensará que é mania, capricho, ou simplesmente vai-se também adaptando a esta realidade se for capaz, não sendo a coisa fica preta.


Apenas alguns exemplos; Um dia parto com a Mulher e o Filho mais novo com destino ao Alentejo, ali para os lados Alter do Chão, para passar lá uns dias em casa de Pessoa Amiga, a casa estava muito bem situada, com todas as comodidades para os três, mas logo na primeira (e última) noite começo  ouvir chocalhos de animais, que tinham instalações próximas, de madrugada toco a alvorada e ala que se faz tarde direito a casa, acabaram as férias.
Noutra ocasião vou a Lamego, a casa dos meus Sogros é numa Povoação próxima, tinha ficado escaldado na última vez que lá tinha ficado, porque um peixeiro modernaço, ás cinco da manhã colocou lá uma aparelhagem sonora a debitar em altos berros ranchos folclóricos e similares, mesmo no largo em frente da casa onde eu estava, fiz ali um cruz para nunca mais lá dormir, assim dessa vez combinei com  a Patroa pregar uma mentirinha inocente aos Pais dela.

Que não dormíamos lá por uma qualquer razão que já não recordo, ficámos na Cidade num hotel que parecia que vendia silêncio, pois ás vezes o que parece não é, o hotel é numa avenida que vai ter á Câmara, toda a santa noite gajos com motos a fazer corridas ou pelo menos a acelerar, e um barulho infernal, toco a alvorada ainda noite e regresso a Oeiras.
Mais de um vez saí de casa com a Mulher e Filhos quando estes eram pequenos, destino: Lagoa de Albufeira, sigo pela autoestrada Lisboa, Estádio Nacional, e quando me aproximo do Monsanto, trânsito parado ou a passo de caracol, acabou a ida á Lagoa, fica para a próxima.
São apenas alguns exemplos dos contratempos que a Família tem passado.


Depois ainda há outros inconvenientes para terceiros, no caso que contei no Alentejo, o dono da casa deve ter pensado que desopilei tão depressa porque não terei gostado de alguma coisa, ou não me ter sentido confortável, isso mesmo se tem passado em casas dos meus Compadres, ainda no Verão de 2012 fui para uma casa de férias deles com a ideia de estar lá uma semana e ao fim  de dois dias estava de regresso, quando lhes disse que estava já em Porto Salvo, só me responderam já? Mas estes já me conhecem de ginjeira e penso que não estranham, mas a Mulher, que prepara a trouxa digamos para uma semana, e no dia seguinte estamos de regresso, já me deve ter rogado tanta praga que se elas caíssem já tinha ido desta para melhor, enfim cada maluco a sua mania, e as minhas como se comprova são vastas!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"FOBIAS? TALVEZ"

Pois é, ao fim de quase setenta anos cheguei á conclusão que estou infestado de fobias, assim, só como aperitivo diria que tenho fobia andar de avião, Aerodromofobia, a sons acima 50 decibéis, Acusticofobia, também não vou com multidões (mais de 4 Pessoas) Agorafobia, e muitas mais que seria fastidioso estar aqui a enumerar, perguntarão a que propósito venho eu falar sobre as minhas manias, então a resposta é esta; Em primeiro lugar porque me parece que a coisa se pega, é portanto contagioso, e não pretendo «infectar» ninguém, em segundo e não menos importante é que só agora cheguei á conclusão que isto é doença, e não mania como pensava, não só eu mas os que me rodeavam, ou rodeiam, passo a explicar:


Nasci grande, mas não o suficiente para me recordar dessa época, mas a partir do momento em que assentei praça na Escola Primária, (onde me doutorei  em fugas) aí já começo a recordar as fugidas daí, mas mesmo que não recordasse, há quem se recorde bem disso e que faz questão de mo recordar, para quem presenciava isto apenas dizia que o rapaz era maluco, incluindo a Família, apesar  dessa instabilidade, e das fugas ás aulas, fiz a quarta classe nos quatro anos da praxe, portanto o que ficou foi o resultado, afinal o gajo é maluco, mas até é inteligente, pois fez a quarta classe sem perder nenhum ano, isto com a idade vai ao sitio, era o diagnóstico que me faziam, e o remédio para a cura, a idade!

Segue-se de imediato o primeiro trabalho, vendedor de leite de porta em porta, em Alenquer, Sol de pouco dura, a instabilidade veio para ficar, regresso a casa, trabalho na Agricultura, aí curiosamente ou talvez não, aguento, até sou mimado pelo caseiro e colegas mais velhos, mas a enxada não era propriamente aquilo com que sonhava, vou para padeiro nas Paredes de Alenquer, vou e volto por três ocasiões, só estou bem onde não estou, noto que a rua é o meu local de eleição, ando atrás do jerico a fazer a venda do pão, e estou nas minhas sete quintas, entro na padaria para ajudar a fazer o pão, e a coisa já não está bem, mas não dou importância ao assunto, afinal ainda só tenho quinze anos e tudo isto se deve á minha juventude, vou novamente para  Agricultura, daqui para analisador de vinhos, ando dum lado para outro mas nada me satisfaz.


Tenho dezoito anos, sou desafiado a  tentar a sorte na Marinha, inscrevo-me, faço as provas e sou aceite, vou para Fuzileiro, a especialidade mais próxima daquilo que tem sido a minha vida, uma «guerra» constante, (só que sem inimigos do outro lado para guerrear), afinal o estar fechado no Quartel sufoca-me, ando constantemente a salto, poucas vezes visto a farda de saída, a não ser quando saía autorizado, são castigos atrás de castigos, já todos sabiam onde me encontrar, e várias vezes lá ia o Jeep da P.N. a Palhais dar-me boleia para a Escola de fuzileiros, até que se fartaram de mim e me despacharam em grande velocidade, não sem antes comer o pão que o diabo amassou.

Saio da Marinha sou chamado para o Exercito, destino, Infantaria 7 Leiria, mas o filme foi o mesmo, fechado não é para mim, em pouco tempo despacham-me em grande velocidade tal como nos Fuzileiros, galo do campo não quer capoeira, penso eu, ando por aqui e acolá, o casamento assenta as Pessoas, ouvi dizer, então assim seja, Caso. Mas a rua continua a ser o meu meio natural, trabalhos são mais que muitos, fixo-me finalmente na reparação e substituição de candeeiros na iluminação Publica, acontece o 25 de Abril, acaba o trabalho no ano seguinte, mais uma vez aos saltos, até que 1976 me leva aos Serviços Municipalizados de Oeiras, trabalho nas estações de esgotos, é verdade que estou fechado, mas a maioria do tempo passo-o na rua, só preciso de ter o serviço feito, e bem, não tenho chefes á perna, estou bem, dois anos depois fico a chefiar o sector, são mais de vinte instalações espalhados pelos Concelhos de Oeiras, Amadora e Sintra, estou nas minhas sete quintas, quase não me sento no escritório, é ouro sobre azul, a rua sempre ela a chamar por mim!


Mas um dia, (há sempre um dia)  estou num a reunião nos Serviços Técnicos na Medrosa, (instalações que mostrei há dias abandonadas) e começo  mudar de cor, qual camaleão, uma Engenheira sentada á minha frente nota que não estou bem, e vai arranjar um copo de água com açúcar, saio á rua para apanhar ar, a coisa passa, penso que terá sido do muito tabaco que andava no ar, (naquele tempo fumava-se, e bastante em reuniões)  não ligo mais ao assunto, duas semanas depois vou com o meu Chefe a uma reunião á Firma Lusovema em Lisboa repete-se a mesma cena, aí sim comecei a pensar que alguma coisa não estaria bem, mas essas histórias das fobias não existiam, nunca tinha ouvido tal coisa, sabia que não me dava bem em locais com muita Gente, mas pensei sempre que era uma questão de gostos.

E no meio disto tudo a Família? Sim porque existe Família, Mulher, Filhos e Netos, pois é, com a Patroa fui uma vez ao cinema a Paço de Arcos, e o raio do intervalo que nunca mais chegava, saímos quando ele se dignou aparecer e até hoje, teatros? Restaurantes? Enfim festas? Nada, passeios? Só de carro, e várias vezes com o destino alterado a meio do percurso, bastava (basta) ver fila de carros parados á minha frente, (por isso mesmo evito autoestradas porque aí não posso sair se alguma coisa me obriga a parar), e com os Filhos? A mesma cena, coitados foram-se habituando, penso eu, pelo menos nunca reclamaram (acredito que vontade não lhes faltava) reuniões de Escola? A Mãe encarregava-se disso.
E eu? Sim também tenho vida para além do trabalho, pois é, reformei-me e pensei, agora isto vai, vou começar a sair porque esta mania foi-se instalando e parece que veio para ficar, e a coisa agravou-se porque passei a viver só para o trabalho, era de noite e de dia Sábados, Domingos e Feriados, mas agora acabou!


Acabou? Parece que não, a patroa vai com os Filhos passear á Madeira, então tu não vais? Eu ir de avião? Já vais, fico a tomar conta do cão! Vai a Itália com a Filha? Eu fico a guardar a casa! Ao restaurante? É pá agora estou lixado, a minha Irmã vai comigo a Vila Verde e insiste que tenho de ir almoçar ao restaurante, gaita não vou ficar mal na fotografia, e fui, não uma, mas duas vezes, até já me estava a habituar, pois conheço os proprietários há anos, afinal agora por causa destas modernices das registadores ligadas ao Fisco fecharam o restaurante, e dedicaram-se á agricultura, porra já é ter azar, agora acabou. E cafés? Aí vou, mas não me fechem a porta, porque com a história do ar condicionado têm a mania de estar de portas fechadas, aí não entro. 

Antes de ontem fui com a Filha a uma firma em Queluz, á entrada para o parque de estacionamento uma cancela, já não estou a  gostar disto, carrego no interruptor, a cancela levanta e entro, tem calma camarada que não vais ficar preso, andamos pelas instalações, mas eu só pensava na cancela, é que na da saída não vi nenhum interruptor para eu próprio a abrir, e também não havia funcionários á vista, tive de perguntar a um funcionário como ia sair dali, o Homem descansou-me que alguém a ia abrir, mas só me senti seguro quando a transpus. Hoje mesmo, depois da minha caminhada por Caxias e Paço de Arcos, depois de regressar a casa, saí novamente apeado, eram 8h55, passou por mim a Srª do quiosque onde costumo beber o café, como ainda ia ligar a máquina, segui e fui até ao Campo da Bola, outro café, mas também fechado, volto para espreitar o primeiro, ainda de portas fechadas, restava-me um terceiro, e próximo deste, olho lá para dentro e estão 3 pessoas ao balcão, e vão duas a entrar, acabou, isto já é gente a mais, regresso a casa sem beber o bendito café.


Depois de 1500 metros palmilhados, chego a casa e bebo lá o café, embora o da rua me saiba melhor! Resumindo toda a história que já vai longa; Hoje não tenho mais duvidas que aquilo que considerava mania é mesmo doença, chamem-lhe fobia ou outra coisa qualquer, e devia em tempo útil ter sido tratado para não chegar tão longe, não o fiz e não importa agora chorar sobre o leite derramado, deixo aqui este relambório por duas razões, na esperança que um Leitor desta minhas crónicas, (de quem gosto muito) faça uso delas, para não chegar a este ponto, porque os sinais não são nada animadores, e também para alertar algum Leitor que por aqui passe, para tomar nota nos sinais de alerta que aqui deixo. Fiquem bem, divirtam-se e não se tranquem em casa.