terça-feira, 13 de novembro de 2012

SAIU A MERKEL, CHEGOU A TROIKA

Antes de ontem tinha feito o convite á Srª Merkel para ela ir passar uns tempos comigo a Vila Verde, mas a idade não perdoa e varreu-se-me completamente que a Dama chegava ontem, assim e como é meu hábito levantei-me bastante cedo, e como tinha que fazer na Terra fui ver o nascer do Sol á Serra, só depois da caminhada, das compras da comidinha e do trabalho que tinha que fazer é que me lembrei da oferta que tinha feito á D. Merkel, do sucedido peço aqui desculpas públicas, sei que ela questionou alguns dos convivas da almoçara-da sobre a oferta que lhe tinha feito, nomeadamente se a minha pessoa era de confiança, se não era contestatário ás medidas do Governo e da Troika, etc,  após os esclarecimentos devidos, a Senhora aceitou vir cá passar uns tempos logo que a empurrem para fora do Governo Alemão, que espero, aconteça muito em breve.

Isto foi ontem, hoje já cá chegaram os seus (dela) enviados conhecidos como "a Troika" de facto tal com a Senhora não é culpada de nada, estes também não têm culpas no cartório, é tudo Gente que se move só pelo nosso bem estar, aliás hoje mesmo como trabalhadores aplicados que são (nada comparados com esta malta do sul da Europa que só está á sombra da bananeira comendo e bebendo do melhor) dizia que como grandes e aplicados trabalhadores que são logo que chegaram deitaram mãos (e pés)  ao trabalho, e assim convocaram, (mas não pertence ao dono da casa fazer o convite?) as Associações Patronais e Sindicais para uma conversa, e que conversa, ouçam os representantes destas Associações e vejam que isto foi uma conversa da treta, os gajos são de ideias fixas, apesar de toda a gente ver que estamos cada vez mais falidos com estas medidas que têm aplicado, mas de nada servem os avisos que chovem de todos os lados, isto até me faz recordar uma cavalo (chamava-se Pancas o maroto) que trabalhava na lavoura na quinta onde eu trabalhava, e o sacana era muito teimoso, quando não lhe apetecia obedecer deitava-se no chão e ninguém o conseguia fazer levantar.

Então e quem são estes marmanjos que compõem o ramalhete da Troika? são três como não podia deixar de ser, por isso mesmo se designa de troika, são eles; Jurgen Kroger, da C.E. -Paul Thomsen do F.M.I.- e Rasmus Ruffer do B.C.E., ora estes nomes cheira-me que, ou são Alemães, ou se não são estão lá perto, estava á espera que na formação deste trio por lá estivesse algum nome Francês, Italiano, Espanhol ou porque não um Português?  pois estamos também metidos nestes três barcos que compõem o ramalhete, mas não convinha ter aqui ninguém da Europa do Sul, que são no entender dos nordestinos uma cambada de gastadores e calões, assim só nos resta uma esperança, e que é um dos actuais troianos cair da cadeira e nessa altura ir para o seu lugar alguém que nos defenda dos abutres que não nos vão deixar respirar, ou então que caia o Passos que tem os passos trocados.
 

sábado, 10 de novembro de 2012

A VISITA DA DONA DOROTHEA

Ângela Dorothea Merkel, a indesejada, de facto Portugal não a quer por cá, não será todo o Pais mas pelos ecos que se ouvem, não custa a creditar que a grande maioria dos Portugueses a consideram "persona non grata" nesta altura do campeonato, lá terão as suas razões, mas cá o Rapaz como bom anfitrião que se presa, sou  a favor da sua visita, digo mais, considero até que podia montar aqui o seu gabinete, neste protetorado á "beira mar plantado" e governar daqui a Alemanha e o resto da Europa, embora a sua vontade como boa Alemã que é, seria administrar todo o Mundo, veja bem dona Merkel, que clima destes não arranja com facilidade, e Gente boa que acolhe bem os visitantes, vá por mim, e traga o seu ministro das finanças, pessoa muito estimada pelo homologo Português «fala lento».

Mas perguntarão porque é que sou favorável á sua vinda, quiçá, a sua permanência até pelo menos á sua aposentação? a resposta é simples, para além de bom anfitrião, acredito em quem tem detido o poder cá no Rectângulo, não tenho razões para duvidar de Sócrates e Passos Coelho, e ambos acreditaram piamente na Senhora e na sua boa vontade de nos ajudar, então porque ia eu duvidar?
Acresce o facto de saber perfeitamente que temos vivido a grande é á Francesa, esbanjando os Euros que graciosamente nos enviaram em especial os Alemães que sempre foram mãos largas nas ajudas aos mais desprotegidos, veja-se o que fizeram nas duas grandes guerras, em que os Países não se entendiam e eles quiseram ajudá-los, é certo que foi preciso dar uns tiros e mandar umas bombas, mas foi sempre com boas intenções, e mesmo aqueles milhões que morreram devido a esses tirinhos e bombinhas sentem-se agradecidos por não terem ficado por cá a sofrer as passas dos Algarves, sofrendo as agruras do pós guerra, desafiando a chuva e o frio nas filas para arranjar um pouco de pão ou leite, que como sabe melhor que ninguém eram racionados, claro que os Alemães não tiveram culpa nisso, como nós sabemos.

Mas isto são águas passadas e o que interessa é a atualidade, e a este respeito só temos de estar gratos á Senhora, pela sua prestimosa ajuda, para evitar a nossa falência como País. é certo que cada dia que passa estamos mais falidos, mas ainda assim sempre temos onde nos amparar, exactamente a esta nossa amiga, até os juros que estamos a pagar, dos tais empréstimos beneméritos são insignificantes, cerca de 5%, quando os bancos se financiam a 1%, mas coitados dos bancos que só têm sido prejudicados nestas horas de crise, e pagam juros dos empréstimos mais baixos que os Países, parece uma contradição mas não é, de facto os bancos gerem melhor o dinheiro que os nossos Governantes, veja-se o caso do B.P.N.  grandes administradores que estão a passar a vergonha de ter de ir a Tribunal, para explicar como aconteceu o buraco, em todo o caso muito menor que o buraco do Pais.

Mas minha estimada Senhora, isto não é só conversa fiada, quero daqui fazer-lhe o convite para vir passar uns dias na minha humilde habitação, tem  Sol a rodos, a Serra onde pode fazer-me companhia numas caminhadas, se lhe apetecer dar um mergulho podemos dar um salto ali ao Rio da Várzea, a minha Patroa sabe fazer umas comidinhas porreiras, que não encontra na sua Terra tenho a certeza, e ainda me ofereço para a levar a dar uns passeios por aí para ficar a conhecer de facto o nosso Povo, e vai ver que não somos nenhuns mandriões como lhe têm dito, nem gastadores dos dinheiros alheios, nada, tudo boa Gente, é certo que temos muita Gente aí a encher cafés e similares, mas isso deve-se á procura de convívio, somos assim mesmo não gostamos de estar fechados em casa e procuramos o convívio, aliás ao contrário dos seus Concidadãos que se fecham em casa, e só pensam em trabalho, nós por aqui em casa só para dormir, somos um Povo alegre que gosta de se divertir, vai ver que por onde irá passar só vai ver festas, e o Povo todo a aplaudi-la e, a aclamá-la, como se de uma Santa se tratasse.

E já que falamos de convívio, sugeria aqui ao seu discípulo Passos Coelho que fizesse como outrora os nossos Reis (quando Portugal ainda era Soberano) que quando nascia uma Criança na Corte, davam três dias de festa rija ao Povo, era óptimo que o «amigo»  fizesse o mesmo, porque a Senhora merece ser recebida com festas e não com manifestações de desagrado como aquelas que se preparam para aí, uns mal agradecidos é o que nós somos, eu por mim, e somando á oferta que lhe fiz atrás, ainda estou preparado para a ir receber ao Figo Maduro, (para quem não sabe é onde aterram os aviões em Lisboa) com um ramos de cravos vermelhos, assim  mo permitam os seus seguranças, e mais, como parece que vai almoçar ao Forte de S. Julião da Barra, se não for muito incomodo, podia fazer-me o convite para o repasto, (já que estou aqui próximo) e dali seguia comigo para ver o Portugal profundo, sugeria até que começássemos pelas Escolas, onde a fome já aperta, claro que a Senhora não tem culpa nenhuma, nós é que andámos a viver acima das nossas possibilidades, e agora estamos em dieta.

Para terminar esta prosa que já vai longa, apetece-me fazer aqui algumas considerações mais serenas, a primeira é a que respeita á visita propriamente dita, cheira a provocação, á poucas semanas fez o mesmo em relação á Grécia, e o que lá foi fazer? acirrar mais os ânimos, provocar manifestações e distúrbios, qual é a necessidade? os gajos que a convidam são parvos ou estão eles também a gozar com o Zé? acham mesmo que esta visita vem no momento mais próprio? depois queixam-se se houver, como é previsível, problemas de ordem Publica, do que estão á espera? ou será para exercitar a Policia, que anda para aí a manifestar-se e assim sempre dão umas bordoadas no Pessoal e esquecem as manifestações? Desconfio que aqui á gato.
A segunda é a seguinte: não considero que a Senhora seja a primeira culpada do que nos está a acontecer, de facto é internamente que temos de procurar os culpados e fazê los pagar pelo estado a que isto chegou, mas uma coisa é considerar que não é Ré, a outra bem diferente é a oportunidade da visita que não é desejada, assim passávamos bem sem ela por cá..
Não é bem vinda minha Senhora.
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

RECORDANDO E ANUNCIANDO

Escola de Fuzileiros inicio do ano de 1966, após uma troca de pontos de vista mais acalorada com o Tenente Oliveira no gabinete do Oficial de Dia, este dá-me ordem de prisão, é Domingo e na Escola de Fuzileiros como é tudo Rapaziada bem comportada não acharam necessário construir uma prisão, acresce o facto de só o Comandante da Escola ter poder efetivo para decretar esse castigo, mas Oficial é Oficial, e o poder, quando não se tem, arranja-se, e foi isso que fez o «amigo Oliveira» chama o Sargento Dia e pede~lhe Homens para guardarem este «perigoso fugitivo» que mais uma vez tinha sido apanhado pela ronda em Palhais, só hoje já é a terceira vez que a ronda o apanha por lá, e ainda com a agravante de estar com a farda de trabalho que como se sabe só é usada dentro da Unidade.

Sr. Tenente, diz o Sargento, como hoje é Domingo não temos  Homens disponíveis guardarem o gajo, há sempre uma solução, tirram-se as Sentinelas dum posto que não ponha em causa a segurança da Unidade ou dos Paióis da Mata da Machada, e pronto, está encontrada a solução para o problema, faltava apenas o local para servir de prisão até ao dia seguinte quando o preso fosse presente ao Comandante da Escola, não podia ser local onde ouvesse mais Gente não vá dar-se o caso de ter de se disparar algum tiro se ele tentar fugir, pois o gajo é especialista em andar de «salto», temos a casa do carvão, diz o Sargento, não tem porta mas com o preso lá dentro e os Sentinelas cá fora não há problema, e o local até é do melhor, fica junto ao Cais dum lado, e Pista de lodo do outro o que reforça a segurança.

Assim se fez, no dia seguinte e após assistir a uma afogamento dum Instruendo, e ter salvo um  outro ainda que sobe a ameaça de levar um tiro do Sentinela que não queria por nada que eu me atirasse ao «malagueiro»  local onde se deu o afogamento.
Levado ao Comandante este decreta 20 dias de prisão disciplinar agravada, calma aí que para contas de cabeça não sou mau, e estes 20 dias somados á lista que já tinha, era trigo limpo Forte de Elvas com ele, não fora esse facto não falava no assunto, mas o Forte assustava-me e falei: Sr. Comandante não há um desconto a esse número pelo facto de ter salvo á pouco um Recruta de afogamento? respondeu que não sabia de nada e madou o Impedido chamar o Tenente Moitinho de Almeida para confirmar ou não o que eu tinha dito, este chegou, confirmou, e a pena foi reduzida a metade, que fui cumprir para a Prisão do Corpo de Marinheiros no Alfeite.

Aí chegado, sou informado por outro detido da presença ali no xilindró do famoso G3, de que toda a Gente falava, claro que tive de me aproximar do Personagem e ao longo dos dias, dois dedos de conversa tivemos, p+poucas foram as pallavras, por um lado todos queriam ouvir o Homem, e por outro este estava compltamente de rastos devido ao tratamenro que a P.I.D.E. lhe tinha dado.
Saio e o G3 fica, sou devolvido á Escola de Fuzileiros, e aqui recebo a informação que vou sr transferido para o Alfeite, é pá. isto não estava no programa, aqui é como estivesse em casa, conheço os cantos á casa, dou o salto com a maior facilidade, e no Alfeite a coisa deve ser mais complicada, e também não sei o que me espera por lá em termos disciplinares, estou marcado, e o melhor é pirar-me daqui, sou acompanhado pelo Oficial de dia até ao autocarro Militar que faz o transporte para o Alfeite, este  não se esquece de dizer ao Condutor que não me deixasse sair antes do destino, estava enganado o bom Homem, logo que o transporte parou junto ao Portão de Armas, aí vai o fugitivo Mata adentro, para nunca mais ser apanhado, nunca mais uma virgula, como se pode ver mais á frente.

Permaneço anónima-mente mais cinco dias na Escola, onde como e durmo, que a crise aperta, nas horas em que não estava a fazer uma coisa nem outra dava uma ajuda na cozinha pois era aí que matava a galga, (Obrigado Cabo Alexandre) cinco dias depois, no Sábado de Aleluia do ano da graça de 1966, com o meu Amigo Carlos Bento parto a caminho de Espanha, sempre a pé, até sermos apanhados pela P.I.D.E. junto á Fronteira do Caia, somos levados para o Posto, e daqui encaminhados para Elvas outra dependência destes esbirros, fomos de inicio bem tratados, não disse que estava na Marinha, pois tinha 19 anos e pensei que os gajos não descobrissem e me mandassem em paz, uma gaita, após nos separarem, (separação que durou mais de 30 anos)  na manhã seguinte sou confrontado com uma foto minha fardado de Marinheiro, não desmenti mas mesmo assim ainda me enfardaram uns sopapos, horas depois sou transportado para a Unidade Militar Caçadores Nº 8 ainda em Elvas onde permaneço cinco dias até uma ronda da Marinha me ir buscar, direitinho á prisão do Alfeite e á companhia de mais ou menos quarenta corrécios que lá estavam pelas razões mais diversas,  e do António Tavares Trindade, mais conhecido por G3.

Ali permaneci mais uma temporada curta após o que me mandaram para a vida Civil, e do G3 nunca mais soube nada, até que com a Internet e os blogs de antigos Marinheiros e entre estes o Titinaine foi o mais aplicado na tentativa da sua  descoberta, ou simplesmente do que lhe teria acontecido, pois as informações referentes ao período em que este esteve preso, era de que a P.I.D.E. lhe tinha dado cabo do canastro, o que é verdade, mas não o mataram como se constata, pois está ainda vivinho da silva, após a sua descoberta, que foi também com o empenhamento do Fernando Maudslay, (outro Companheiro do Cárcere) estive com ele por diversas ocasiões, onde me fez um relato da sua vida em especial no que se refere á sua fuga na Guiné, e consequente apoio ao P.A.I.G.C., daí mais uma saída para Argel, onde fica como Guarda Costas do General Delgado, e após a morte deste a sua saída apressada de Argel e a travessia apeada que fez duma parte do deserto até Casablanca em Marrocos onde se entregou ao Consulado Português nesta Cidade.


Perguntarão o porquê de tanto paleio, a resposta é simples, apeteceu-me relembrar este período da minha vida, e dar aqui a noticia da apresentação do livro escrito pelo G3 nos ultimos anos e agora editado.
Assim será apresentado no Sábado 24 deste Mês de Novembro, pelas 16.30 horas na Livraria Barata na Av. de Roma nº11, lá estarei, embora não prometa permanecer se se confirmar que irá estar muita Gente como o próprio me disse, ele sabe que sou alérgico a multidões, mas deve ter-se esquecido disso, e foi-me dizendo que ia lá estar muita Gente do Bairro onde mora.
Para os Fuzileiros mais antigos, fica a informação de que prometeram estar presentes; o Tenente Patrício, que não conheço mas sei que se trata de Pessoa muito estimada por todos os que com ele privaram, também o Mário Manso, (grande impulsionador da Associação de Fuzileiros) e que curiosamente fui eu que lhe apresentei G3. após a sua recente redescoberta.
 
Estou muito curioso na leitura do livro, calculo que será uma decepção, para alguns que não lhe perdoam o ter desertado, e mais ainda para aqueles que acreditam que foi ele que ensinou os Guerrilheiros a manusearem armas, e quiçá de ter ferido ou morto Camaradas seus, acredito que estes ainda hoje não lhe perdoam, estou certo que ele esclarecerá a razão de o terem alcunhado de G3, e que nas historias fantásticas que se ouviam seria por escrever o nome  dessa arma em tiro de rajada com a mesma, também outra curiosidade que gostava que ele explicasse era a razão porque lhe chamavam capitão G3, se ele era Marinheiro e na Marinha não há Capitães, a não ser acompanhados doutro nome, enfim curiosidades para desvendar cinquenta anos depois.
Para os Marinheiros em especial, aqui vão uma série de fotos tiradas do Terreiro do Paço e apanhando o Alfeite, e outras da Escola de Fuzileiros.
´Na foto a preto e branco, o G3 está ao lado do General Delgado.
 




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SONHOS OU PESADELOS?


D. Maria Ana não irá hoje ao auto-de-fé.Está de luto pelo seu irmão José,o imperador da Áustria que em pouquíssimos dias o tomaram as bexigas, verdadeiras, e morreu delas, tendo somente trinta e três anos, mas a razão porque ficará no resguardo dos aposentos não é essa, muito mal andariam os Estados quando uma rainha afracasse por esse pouco, se para tão grandes e maiores golpes são educadas.
Apesar de já ir no quinto mês, sofre de enjoos naturais, que, no entanto não bastariam a desviar-lhe a devoção e os sentidos da vista, ouvido e cheiro da solene cerimónia tão levantadeira das almas, acto tão de fé, a procissão compassada, a descansada leitura das sentenças, descaídas figuras dos condenados, as lastimosas vozes o cheiro da carne estalando quando lhe chegam as labaredas e vai pingando para as brasas a pouca gordura que sobejou do cárcere. D. Maria Ana não estará no auto-de fé porque, apesar de prenha, três vezes a sangraram, e isso foi-lhe causa de grande debilitação, em acréscimo dos afrontamentos que vinha padecendo há muitos meses. Demoram-lhe as sangrias como lhe tinham demorado a noticia da morte do irmão, que queriam os médicos segura-la mais, sendo de tão pouco tempo a gravidez. Que, em verdade os ares não andam bons no paço, como ainda agora se averiguou ao dar a el-rei um flato rijo, de que pediu confissão e logo lha deram, pelo bem que sempre faz á alma, mas terão sido marginações suas, que tudo se desatou com sucesso quando o purgaram, afinal era só a tripa empedernida.

Mas agora perguntarão que conversa é esta? se já não temos Inquisição há séculos, e portanto autos-de-fé já foi chão que deu uvas, e como diz o nosso Povo águas passadas não movem moinhos? Eu não sou  ateu, e portanto mesmo que auto-de fé houvesse em princípio não era um dos requisitados para a fogueira, então a que despropósito vem este trecho do livro aqui fazer?
Pois tudo isto é verdade, mas é que esta noite tive um pesadelo, esquisito, e que julgo terá a ver com este capitulo do livro de Saramago "Memorial do Convento" que tinha acabado de ler, entretanto fui para o vale de lençóis e foi uma coisa horrível! Os carrascos que me apareciam no sonho, eram o Passos Coelho e Victor Gaspar, a cena passava-se precisamente no local da narrativa do livro que tinha acabado de ler, isto é, em pleno Rossio, eles gritavam que queriam acabar com os Velhos, que só lhe dão despesas e nada de útil fazem, são remédios caríssimos, as operações a´próstata que estão pela hora da morte, as fraldas que agora os velhos até usam este adereço, são os asilos, as pensões milionárias que recebem, e o País não suporta isso, há que acabar com a raça rapidamente, eu gritava que estava inocente, que não tomava remédios, a próstata tirando a coisa de mijar muita vez, ainda estava para as curvas, não estava em nenhum asilo, e que também não tinha uma pensão milionária, mas qual quê, os gajos com mais de 65 anos tinham de acabar, para dar lugar aos novos.

Os Jovens já os mandamos imigrar, diziam eles, mas aos velhos não os podemos mandar trabalhar, pois queixam-se das artroses do reumático, da vista cansada, tretas, eles querem é viver á custa do Estado, e como para grandes males grandes remédios, vamos limpar.-lhes o sebo, usando este método mais limpo, e dispensando o dispendioso funeral, aliás já cortamos os subsídios aos mesmos e continuamos falidos, e dito isto atearam a fogueira, eu gritava que me estavam a queimar, que não aguentava tanto calor, mas nessa altura aparece um gajo que é banqueiro, e que tem um nome estrangeirado, acho que  Ulrich, me dizia, aguentas mais, ai aguentas, e o fogo a lavrar cada vez com mais intensidade, e eu a dizer não aguento mais, e o gajo ai aguentas, aguentas, e nesta altura acordei do pesadelo, e verifiquei que Portugal continua pacifico, diria até amolecido, não fora a tia Manuela, e os tios Bagão Félix e Marcelo irem animando as hostes.

Mas já que o pesadelo terminou, e como estou com a mão na massa, quero trazer aqui o último condenado á fogueira pela Inquisição Portuguesa, trata-se do Padre Gabriel Malagrida, nascido em Itália em 1689, fez-se Padre e veio para Portugal em 1720, daqui fez algumas viagens ao Brasil em missões de evangelização, até se instalar definitivamente em Lisboa em 1754.
Foi preso em 1758 com outros Jesuítas como cúmplice do atentado contra D. José ( Ó Marquês de Pombal, tivestes alguma coisa a ver com a prisão do Padre?) e entregue ao Tribunal da Inquisição para ser julgado por erros da fé, em virtude da sentença do mesmo tribunal de Setembro de 1761, morreu estrangulado e queimado no auto-de fé celebrado no dia 20 deste  Mês no Rossio.






















sábado, 3 de novembro de 2012

PORTUGAL INDEPENDENTE?

Quem ainda acredita que somos um Pais independente? Um dia também eu acreditei no Pai Natal., mas isso foi só até me aperceber que o brinquedo que eu lhe tinha pedido, afinal não tinha chegado até mim, embora o tenha visto passar á minha porta carregado com grandes sacos cheios deles a partir daí ainda esperei mais um ano, para ver se desta me calhava a mim ser premiado, mas nada, então perante os factos convenci-me que o que tinha visto passar não era o Pai Natal mas uma alucinação minha devido ao facto de nunca ter tido brinquedos, a partir daí não mais acreditei nessa figura vestida de vermelho, transportada por um par de Renas, embora tente convencer os mais pequenos da sua existência! Vá-se lá perceber porquê, e porque vou comparar o incomparavel? só pode ser mais uma alucinação, mas vamos em frente.

O mesmo se está a passar agora, revivendo estas memórias de criança, comparo-as á situação que Portugal chegou, não é do Pai Natal que se trata, mas da sua Independência, que terá acontecido nos idos de 1143, e mais tarde reconquistada em 1640, quando os Espanhóis tomaram o «barco» como seu, e agora chegá-dos aqui onde pára a nossa tão estimada Independência?
Começaram  de mansinho os políticos de merda que nos têm (des) governado por acabar com a nossa Moeda, com o atrevimento que a sua impunidade permite, hipotecaram-nos a instituições internacionais de métodos e fama duvidosos, estes sonsos que moram actualmente por S. Bento deram o sinal que faltava na nossa total submissão aos Estrangeiros ao cortarem os Feriados, e quais cortaram? a data da Independência 5 de Outubro, e a Restauração da Independência 1 de Dezembro, está tudo a bater certo até aqui.

A Troika e a Srª Merkel dão ordens e nós obedecemos de rabo entre as pernas, quais cordeirinhos ameaçados pelos lobos, e a estocada final surgiu agora, e esta não posso perdoar a estes «Migueis de Vasconcelos», (que espero tenham o mesmo fim do verdadeiro) então este nababo que colocaram em Primeiro Ministro tem a lata de desafiar o Partido que assinou com ele o tal memorando com a Troika para este se empenhar na «refundação» (que ainda não explicou de quê) mas ao que parece será mexer na estrutura do Estado, mas dizia desafia o P.S. para se empenhar com ele e Paulo Portas na tal «refundação» e daí a dois dias vem o que parece ser o seu porta voz para assuntos de Estado Marques Mendes, dizer alto e bom som que já cá estão há semanas Estrangeiros a estudar a reformulação do nosso Estado? então o sacana já cá tinha estrangeiros e não dizia nada ao convidado de ocasião? mas que merda é esta? não temos cá Portugueses capazes de estudar, e aplicar uma reforma do Estado que é suposto ser o nosso? estou parvo minha Gente, antes de terminar vou reproduzir aqui uma frase que ontem ouvi dum simpático Ansião, num desses canais televisivos de Noticias! Dizia ele! "dizem que os Portugueses são pacíficos, olhem eu acho que são é covardes".
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

OS MORTOS E OS VIVOS

Como já todos os Leitores do blog perceberam, ajuntamentos de Gente não é definitivamente o meu forte, (se é que sou forte em alguma coisa) e assim sendo como hoje e amanhã os cemitérios são locais muito frequentados lá fui ontem a Vila Verde colocar uns vasos de flores naturais nas campas da minha Mãe, e dos meus Tios Júlio e Victoria, embora seja frequentador quase semanal do cemitério, estas datas são importantes em especial para aqueles entes queridos que passam o ano sem um visita, pelo menos aqui têm a sua oportunidade de ser visitados e quiçá chorados pois com assistência abundante á mais saboroso, e quem sabe até alguns mais arredios em visitas não levarão um prolongado aplauso dos seus mortos e até dos vizinhos destes mais próximos.

Bem, mas esta visita rápida também serviu entre outras coisas menos importantes, para a despedida ao Vicente e á Luzia sua Esposa, pois vão regressar aos States e á companhia do Filho e restantes Familiares e Amigos que lá permanecem, estão  preocupados com a situação criada pelo furacão Sandy, felizmente não ouve perdas materiais a não ser a provável deterioração de alimentos pela falta de energia que ainda se fará sentir, de resto ainda irão a tempo de dar uam ajuda no reestabelecimento das condições anteriores ao desastre, dêem noticias frescas qaundo estiverem em chão firme, isto se tiverem a Internet a funcionar, pois eu aqui mesmo sem Furacão já estou outra vez coxo., vale-me a Internet móvel do meu Filho, doutro modo ficava a ver navios.

Mas antes da despedida ainda ouve tempo e coragem para uma subida ao alto da Serra de Montejunto, é que ainda não perdemos a esperança de encontrar a célebre Passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão que por ali permanece em local porventura inacessível, senão já a teríamos encontrado, mas não vamos desistir e já está combinado uma  nova expedição lá para Maio próximo, pois antes disso e sozinho já não me sinto seguro a andar por montes e vales, não vá cair nalgum buraco e ficar por lá esquecido quem sabe no mesmo buraco por onde desapareceu a  Passarola.
Entretanto saímos ás oito em ponto, e desta vez fui eu que fui buscar o Vicente a casa, estava-lhe a saber bem ficar na cama mais um bocado, mas os meus afazeres aqui em Porto Salvo não me permitiam estar por ali muito tempo, e assim lá fomos até ao "Cafezada" do nosso Amigo Victor matar o bicho, e esperar que este desse a bandeirada da partida, o que aconteceu.

Daqui seguimos de carro até determinado local da Serra e depois o resto do percurso a penantes, oito quilómetros foi o que ainda palmilhamos, no percurso já prevenidos ao que íamos, cada um com o seu saco de plástico na algibeira e após a subida até junto das ruinas dos antigos  Conventos e da Ermida de São João, dali tirei algumas fotos que aqui mostro, duas das quais e onde a qualidade não é a melhor mas a distância do objectivo é de vários quilómetros e a neblina junto ao Mar também não ajuda, trata-se da Ilha da Berlenga, e numa das fotos ainda se vê para lá da Berlenga um Farilhão, o Vicente não acreditava mas já lhe enviei duas fotos que não deixam duvidas, espero lá voltar num dia mais limpo para repetir umas chapas.

Descemos depois até junto da Real Fábrica do gelo, onde apanhámos umas castanhas, suponho que serão castanheiros bravos, devido ao pequeno tamanho das castanhas, mas o melhor estava para chegar, os cogumelos, que aqui na Terra eram conhecidos por capôas, não sei se ainda hoje assim será mas na minha Juventude eram assim chamados, o Vicente não se recordava já se estes eram bons ou não, mas eu nunca os perdi de vista, quase todos os anos nesta época lá vou apanhar alguns, uma excepção foi o ano passado que devido á falta de chuva eles fizeram greve e não apareceram, hoje já sabia que os ia encontrar pois o meu Filho mais novo está de férias esta semana e esteve uns dias na Terra e ontem no regresso já trouxe uns quantos que ontem mesmo foram trucidados, hoje foram dois sacos, e podes comer á vontade Vicente que eu já os comi e ainda aqui estou para contar como foi, aproveita que lá na América não apanhas disto.