quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"OS BUROCRATAS VIERAM PARA FICAR"

Já nada me surpreende neste cantinho á beira mar plantado, mas há coisas que me deixam á beira dum ataque de nervos, embora acredite que estas coisas não acontecem só cá ao rapaz! Mas como diz o outro, são feitios, alguns comem e calam, há os que não se ralam, e ainda os que arranjam ulceras nervosas de tanta porcaria que os rodeia, e sem meios de sair do atoleiro em que este Pais está transformado. Mas vamos a votos que é disso que quero falar. No tempo do António da calçada e do seu sucessor Marcelo não votava, não por não querer, mas porque não me deixavam, foi assim nas farsas de 1969 e 1973, numa destas datas ainda armei um pé de vento na Escola de Vila Verde, local onde decorria a farsa da votação, mas de nada serviu, vi o voto por um canudo.


Talvez por via disso, na primeira vez que tive Liberdade para votar até estive horas numa fila de Gente que dava para preencher a muralha da China e ainda sobravam Pessoas, isto foi em Oeiras, mas mais tarde Recenseei-me na minha Terra, pois aqui estou por empréstimo, e quando este terminar é para lá que vou em definitivo, mais não seja a «granja» espera-me ansiosa, é verdade que cada voto que lá vou colocar me sai caro, pois a deslocação quase sempre a propósito de, custa dinheiro, mas quem corre por gosto não cansa, ainda nas últimas lá fui colocar o papelinho o que é sempre uma boa razão, mais não seja para ver algumas Pessoas que de outra maneira não via.

Agora recebo uma simpática missiva da DGAI a informar-me que estava recenseado em Porto Salvo, como sou uma besta quadrada, o que fiz? Escrevi para a tal d.g.a.i. explicando que estava recenseado em Vila Verde dos Francos e pretendia continua lá. Pois querias, mas não levas nada, se queres votar vais colocar o papelinho no mercado de Poro Salvo e não digas que vais daqui, sacanas e incompetentes, responderam-me que foram consultar a base de dados e verificaram que eu era portador do cartão de Cidadão emitido em 11-08-2011 e que a morada  está em Porto Salvo, e se eu pretender ir pregar para outra Freguesia tenho de alterar a morada no tal cartão.
Primeiro não tenho nenhum cartão emitido nessa data, o primeiro cartão de Cidadão foi tirado em 28-10-2008, e o segundo e actual a 1-10-2013, segundo no Cartão de Eleitor é independente do de Cidadão, pelo que não vejo qual o problema de continuar inscrito na minha Freguesia, mas isto sou eu a sonhar alto, porque quem sabe da poda são os jericos que estão lá no gabinete do voto e similares!


Mas o mais grave desta trapalhada é que me dizem que se eu quiser votar em Vila Verde tenho de mudar a morada no cartão de Cidadão, ora se eu o fosse fazer agora, isso tinha implicaçãos que estas avestengas não alcançam, teria de mudar carta de condução, cartão de saúde, previdência, o banco que me paga a pensão, as Finanças, e o que mais não me ocorre agora, tinha no fundo de alterar tudo o que tenha a morada daqui, ao passo que se estas cavalgaduras incompetentes, e burocratas de merda, apenas e só teriam de manter as coisas tal e qual como estiveram até agora, e que nada fiz para as alterar, dava de boa vontade um chuto no cu de toda esta escumalha que só serve para lixar a vida ás Pessoas, como não o posso fazer fica aqui a minha despedida das votações, andei a fazer guerras para votar, e agora no tempo da Internet, das comunicações num abrir e fechar de olhos, sou impedido do fazer, não é censura? Talvez não, mas é sacanice.



Enviada: sábado, 18 de Janeiro de 2014 16:54
Cc: Administração Eleitoral
Assunto:



Acabo de receber uma Notificação Eleitoral, indicando que estou recenseado na Freguesia de Porto Salvo, acontece que estou há muitos anos Recenseado na minha Freguesia de origem, Vila Verde Dos Francos, e pretendo continuar lá Recenseado.
Com os melhores cumprimentos
Virgílio Rosa Miranda


De: Isabel Miranda [mailto:IGaspar@dgai.mai.gov.pt]
Enviada: sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2014 16:56
Para: virgilio.miranda
Cc: Maria Adelaide Batalha Franco
Assunto: FW:


De: Maria Adelaide Batalha Franco
Enviada: segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014 16:25
Para: Sónia Tavares
Assunto: RE:

Exmo. Senhor
Em resposta à reclamação enviada por V.Exa, informa-se que actualmente o recenseamento eleitoral é efectuado oficiosa e automaticamente, na freguesia correspondente à morada que consta do cartão de cidadão.
Efectuada a consulta à Base de Dados do Recenseamento Eleitoral (BDRE), verifica-se que V.Exa é titular de cartão de cidadão, emitido em 12-08-2011, onde consta a morada em PORTO SALVO.
Por essa razão a inscrição de V.Exa na Freguesia de Vila Verde dos Francos, foi transferida para a Freguesia de Porto Salvo, correspondente à morada que consta no seu documento de identificação.
De harmonia com o disposto na Lei do Recenseamento Eleitoral e atendendo à morada indicada, encontra-se V.Exa correctamente inscrito na BDRE, na Freguesia de Porto Salvo, com o número de eleitor CA- 11873.
Se pretende alterar a sua inscrição para outra freguesia, deve previamente solicitar a alteração de morada, no seu cartão de cidadão, indicando para o efeito, uma morada correspondente à freguesia onde pretende estar inscrito.
Após a confirmação e validação da nova morada, a sua inscrição na BDRE será automaticamente transferida de acordo com os dados indicados.

Com os Melhores Cumprimentos
Adelaide Franco
Técnica Superior
DGAI RGB_medio
Núcleo Jurídico e de Estudos Eleitorais
Direção de Serviços Jurídicos e de Estudos Eleitorais
Av. D. Carlos I, 134 -  1249-104 Lisboa
Tel.(geral) 213947100 – extensão 121040
Directo 213947131


sábado, 8 de fevereiro de 2014

"MAIS PALAVRAS PARA QUÊ?"



UM PARECER


 Por: Ricardo Araújo Pereira
"Caro Sr. primeiro-ministro, O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente. Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da democracia bastante descurada por vários governos, mas não pelo seu. Por outro lado, mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma. O grande problema das sociedades modernas são os velhos. Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois ou três anos repimpados a desfrutar das suas pensões. A esperança de vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro gasto em pensões poderia estar a ser aplicado onde realmente interessa, como os swaps, as PPP e o BPN. Se me permite, gostaria de acrescentar algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na sociedade portuguesa:
1. Aumento da idade de reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da reforma é muito. Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a queixar-se de que a vida passa a correr e que 20 anos não são nada. É verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é neles que está a sabedoria.
2. Exportação dos velhos. O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para enfeitar um alpendre, um jardim.
3. Convencer a artista Joana Vasconcelos a assinar 2.500 velhos e pô-los em exposição no MoMa de Nova Iorque.
Creio que são propostas valiosas para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito humanista que tem norteado as suas políticas.
Cordialmente,
Nicolau Maquiavel"

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"LISBOA ANTIGA"


Em mais uma caminhada observadora pela Cidade, fixei-me especialmente em alguns locais antigos e com História, mas primeiro o itinerário.
Cais do Sodré 6h40, subo a rua do Alecrim, faço uma primeira e ligeira pausa para fotografar a bonita estátua de Eça de Queirós, que fica no Largo Barão de Quintela junto aos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, era noite e apenas apanhei a silhueta, um destes dias já é dia a esta hora e repito a coisa, fui subindo e mais uma pausa desta feita um pouco maior no Jardim São Pedro de Alcântara ao Bairro Alto, para também aí tirar algumas fotos da zona dos Restauradores, como no caso anterior fica para mais tarde quando o Sol se resolver a aparecer mais cedo, umas fotos melhores, agora é o que se arranja.



Mais uns passos a caminho do Rato, mas faça  agulha e desço junto ao chafariz do Vinho, Praça da Alegria, Av. da Liberdade, Portas de Santo Antão (o emblema do Glorioso não podia falhar) e estou na paragem habitual do café matinal, entro só lá vejo um cliente, chamo o Paulo e nada, esperar não é comigo e dou a volta para ir pregar a outra freguesia, já na rua ouço o Paulo a perguntar ao cliente se o tinha chamado, voltei atrás e disse-lhe que esperar não é comigo, justificou-se que estava na cozinha, e eu expliquei que esperar não é comigo, isto não é pressa, é defeito de fabrico, não aguento filas nem esperas, mesmo que breves, e a coisa já não tem remédio, (um dia conto algumas peripécias por causa das esperas e filas)!



A seguir passo pelo Rossio, e aqui um pouco de História, primeiro o "Arco Bandeira" que fica na Rua dos Sapateiros, embora muitos a tenham baptizado com o nome do arco, então a Historia é a seguinte:
A rua dos Sapateiros surgiu na sequência da reconstrução da baixa de Lisboa após o terramoto de 1755.
O seu nome surgiu pela mão da Portaria pombalina de 5 de Novembro de 1760, que atribuiu ás ruas da Baixa lisboeta designações ligadas ás artes e ofícios .Mais tarde a rua recebeu a designação popular de rua do Arco do Bandeira, na sequência da construção de um arco em finais do século XVIII, custeado por Pires da Bandeira, e segundo projecto de Manuel Reinaldo dos Santos.



No primeiro andar do prédio do Arco funciona o Grémio Lisbonense fundado em 26-10-1842, e a varanda que se vê, era designada como da "Santa Inquisição" sabemos porquê, pois era no Rossio que a fogueira funcionava!
Mesmo ao lado do Arco temos a célebre "Tendinha" popularizada pela Grande Hermínia Silva e cantada por muitos Fadistas, este estabelecimento, agora modernizado foi fundado em 1840, frequentado por muitos artistas no passado, é hoje o último "Botequim do Rossio".
A minha caminhada prosseguiu, e darei conta do restante noutro local pois este texto já vai longo, e não quero maçar mais quem ainda tiver paciência para o ler.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"FALEMOS DE CAÇADORES"



Já todos perceberam que não sou de me gabar, aliás falo muito dos meus defeitos que são muitos, e pouco ou nada das qualidades se é que tenho alguma, mas desta que vou falar tenho um certo orgulho, de facto fui um caçador de mão cheia, começou assim: Corria o ano de 1972, estava com a minha prole a trabalhar para um Casal de Suecos (como aliás já contei) a casa era isolada no meio de nada, ali para os lados da quinta do Antenor Patino e Campo de Golfe do Estoril, havia por lá melros (de penas) aos montes, o lugar metia um certo respeito de noite, pensei e assim fiz, tirar o porte de arma de caça e a respectiva carta de caçador, dei á Policia a profissão de caseiro, eles andaram na minha morada anterior a saber da vizinhança se eu tinha por acaso ameaçado alguém, e como era negativo passaram-me a documentação.



Munido dos papeis que a partir dai me autorizavam a adquirir uma caçadeira, dirigi-me a uma armeiro em Sintra, e vim de lá equipado como se fosse para a guerra, o problema foi depois., os melros lá continuavam a cantar (de galo) a saltar de árvore em árvore, cá o caçador colocava a arma em posição, e Pum! Nada, tiro atrás de tiro e nem uma única vez acertei num pássaro, até que um dia vim até Paço de Arcos onde tinha ainda casa e vim equipado para ir caçar, desloquei-me até á Ribeira da Laje, e fui andando junto á Ribeira para norte, avisto um grande bando de pardais pousados, vou-me aproximando, e já fazia a contagem de quantos pardais ia eu comer fritinhos ao fim da tarde, apontei para o meio do bando, e, Pum! Pum! dois tiros e corro ao local, nada, nem penas lá ficaram, fiquei para morrer, falei com um cunhado meu, caçador e entreguei-lhe a arma com todos os acessórios, fiquei com a certeza que não nasci para caçador!



Até que, corria o ano de 1995, muitas noites tinha de me deslocar ás Centrais e Depósitos de Águas estes últimos são por norma nos locais mais altos da zona, e também em locais isolados, uma noite recebo um alarme de avaria numa válvula motorizada no Depósito de Barcarena, desloco-me lá, eram para aí três da madrugada aquilo é um caminho sem saída, e quando vou a chegar ao portão, está um carro parado em frente deste, inviabilizando a minha entrada, faço sinais de luzes ao gajo, e nada, olhava para mim mas não saía dali, eu não andava propriamente descalço, quando saía de noite para estes locais a minha Beretta 6.35 acompanhava-me, mas aquilo é pouco mais que um traque, um estalido que a 200 metros já não se ouve, e Barcarena fica a mais de um quilómetro, nem de alerta servia, (pensei logo ali ter de arranjar ferramenta mais apropriada para estas ocasiões) o gajo lá saiu, eu entrei fiz o que tinha a fazer.



Saio, fecho o portão e começo a descer o caminho, mas o sacana tinha escondido o carro nos terrenos á volta, e com a escuridão não vi, o gajo sai das terras dentro do carro, para se atravessar á minha frente, mas deve ter pensado (e bem) que eu não parava, e o jeep que eu conduzia era mais forte que a lata dele, e ficou-se.
Segui, sem olhar para trás, e no dia seguinte tratei dos papeis para comprar um bacamarte calibre 12, não quero voltar a ser apanhado em falso, e se não for suficiente a caçadeira compro uma bazuca, ou quem sabe um moderno míssil, não me apanham é desprevenido.


Com os papéis na mão, passei pelo Sobral de Monte Agraço e na espingardaria local comprei uma caçadeira usada, para aquilo que era o seu destino servia bem, e aqui a tenho, nunca foi usada até hoje, só que há sempre um dia, e esse dia chegou, cheguei a casa da minha caminhada e ouvi um som estranho saído dumas «piteiras de aviário» que tenho aqui á porta, ainda pensei que fosse o gato que tem andado a namorar, e há dias que não lhe vejo a cor, mas não, era uma coisa acastanhada, fui buscar o Fuzil, aproximei-me e Pum! Finalmente cacei, e que caça, vejam a foto, duas valentes Lebres, já estão em "vinha de alhos" para amanhã, vamos ver como ficam de sabor, se algum Amigo/A passar por aqui, o almoço é ao meio dia, estão convidados!

domingo, 26 de janeiro de 2014

"AINDA IREI A TEMPO?"

É verdade, carregado de pecados até á raiz dos cabelos, pensava eu que não tinha salvação possível e o meu caminho seria direitinho ao inferno, sem sequer aquela paragem a meio do percurso, no Purgatório, até que, me bate á porta o Papa Francisco, e diz olhos nos olhos, (terás a tua salvação meu filho, vejam esta forma carinhosa com que me trata) se te ligares ao Twitter para seres um dos muitos seguidores que tenho nessa Rede Social, mas Sr. Papa eu não tenho o Twitter, sou mais de blogs e Facebook, então terás de aceder a uma conta desta Rede Social, sabes (diz-me ele) aqui para nós essas duas redes onde estás ligado, são só para Gente que gosta de escutar atrás das portas, uns alcoviteiros e mexeriqueiros, querem saber a vida dos amigos e vizinhos e ligam-se a essas coisas, no Twitter não, aquilo é tudo Gente capaz, amigo do seu Amigo e nada de falar da vida dos outros, portanto liga-te ao Twitter se queres realmente a salvação, e dito isto, desapareceu tão rápido como tinha chegado.


Posto perante mais esta novidade em que este Papa tem sido fértil, fui-me aconselhar com alguns amigos, tão ou mais pecadores que eu, para consertar-mos uma posição comum, assim foi convocada uma reunião urgente com todos os membros, que se realizou ontem mesmo, como á hora marcada não estavam presentes todos os sócios como mandam os estatutos, foi aguardada a meia hora da praxe, e como nesse período não compareceu mais nenhum, reuni, sozinho e decidi:; não aceder ao Twitter para já, aguardando mais uns tempos na previsibilidade que o Papa reconsidere e estenda ás outras Redes Sociais o perdão que implementou nesta última rede, se isso não acontecer, e como Roma é um bocado distante para as minhas possibilidades de viajante apeado onde também me esperava a indulgência ao subir as escadas Sagradas de Roma, ("Scala Santa") nesse caso, dizia então não terei outro remédios que não seja aderir ao Twitter.


"O Papa Francisco vai perdoar os pecados dos Católicos que seguirem a sua conta no Twitter durante as celebrações do Jornada Mundial da Juventude Católica, a decorrer no Rio de Janeiro.
O Vaticano anunciou que o Papa irá dar indulgências aos seus seguidores na sua conta do Twitter. Para os Católicos uma indulgência papal reduz o tempo que passam no purgatório pelos pecados cometidos.
Actualmente, as indulgências são concedidas a Católicos que realizam certas tarefas como, por exemplo, subir as escadas sagradas em Roma (alegadamente percorridas por Jesus quando subiu as escadas da casa de Pilatos antes da cruxificação), o que retira sete anos de purgatório aos fiéis".



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Ó ELVAS Ó ELVAS, BADAJOZ À VISTA"


Nem mais, Badajoz estava ali mesmo á mão de semear, mas por motivos meteorológicos ficámo-nos por Elvas, ou melhor Caia, Elvas já tinha ficado para trás, nessa noite de temporal.
Já contei uma das minhas muitas aventuras que foi a tentativa falhada de atravessar a Fronteira no Caia, quando estava nos Fuzileiros, para me safar ao Serviço Militar que não me estava a deixar respirar, sou galo do campo, fechado não é para mim, esta tentativa de passar a Fronteira deveu-se essencialmente ao receio que tinha de ir bater com os costados no Forte de Elvas, que (devido aos muitos castigos que já tinha) e que era ao tempo, uma espécie de «casa de correção» para os Militares mal comportados, que era definitivamente o meu caso!


Mas hoje não é para falar sobre essa aventura, falhada que quero escrever, antes sobre o Forte de Elvas, ou Forte da Srª da Graça, no dia em que ás voltas aqui pela internet dei com uma entrevista dum antigo Militar que cumpriu parte do serviço Militar nesse Forte de má memória, como Sargento, e que fala abertamente naquilo que ao tempo era segredo, os castigos aos presos dentro do Forte.
Antes de entrar propriamente no tema, recordo que quando fui preso na tentativa de passar a  Fronteira na companhia do meu Amigo Carlos, e após uma noite na P.I.D.E. em Elvas, quando estes descobriram que eu era Militar fui transferido para uma prisão Militar na Cidade de Elvas, o Quartel do Trem, que ao tempo albergava o Batalhão de Caçadores Nº 8.



Aí permaneci cinco dias, até uma ronda da Armada me ir lá buscar, nesse período foram muitas as visitas que tive de Militares que prestavam serviço no Forte, inclusive o médico que lá prestava serviço, questionei-os sobre aquilo que se dizia, em especial quanto ao transporte de barris de água não irem cheios para criar maiores dificuldades de transporte Serra acima, desmentiram, que não era verdade, afinal hoje pela mão de quem lá prestou serviço foi confirmada essa prática, (e outras ainda piores), diz o antigo militar que por dia os presos faziam o percurso do barril, sete vezes, e a água nem era toda consumida, era um castigo para os rapazes aprenderem a ser obedientes, todos os dias 70 Homens tinham essa tarefa/castigo do transporte da água da Fonte do Marechal até ao alto onde está o Forte.

A entrevistadora pergunta se havia mais castigos, sim, quando queriam fugir! Eram colocados durante um Mês numa cela sem luz, e diz "coitaditos nem tinham campo para dormir" deduzo que não teriam espaço nem tarimba para se deitarem, e ali faziam as suas necessidades fisiológicas.
Acrescenta que havia ainda a "casa redonda, que vertia água e os presos tinham de levar com ela"
Foi também questionado quais os crimes que estes presos cometeram para ir para lá, deserção, e fugidas para o Estrangeiro, não havia portanto lá assassinos nem ladrões, muito menos pedófilos, ou maricas que nesse tempo eram livres da Tropa, as penas eram de seis Meses a dois Anos.
Os presos eram denominados de "Incorporados", e quanto á correspondência que escreviam ou recebiam, era toda lida antes de sair de lá, ou na chegada, se vinha alguma coisa contra o regime, não era entregue ao preso, ou nem saía do Forte.


Achei curiosa a maneira como este antigo Militar falou do tratamento dado aos Presos, também Militares, mas presos, passaram já tantos anos e o homem sente-se orgulhoso dos maus tratos físicos e psicológicos praticados contra Pessoas que não queriam ir para a Tropa, foi essa a razão de tantos lá irem parar, não havia ali detidos por delito comum, poderão talvez retorquir que «cumpria ordens» pois também é verdade, mas o orgulho por ordens cumpridas que vão contra o mais elementar tratamento humano, não seria motivo de orgulho para Pessoas bem formadas, diria até que o arrependimento não lhes faria nada mal, não estamos  falar de criminosos, bem sei que num certo período da existência do Forte como prisão Militar havia guerras que mobilizavam praticamente todos os Jovens para servir como «carne para canhão», e a sua tentativa de fugir a estas, independentemente das razões, levaram o governo a criar  Leis de excepção que não deixavam ninguém pôr o pé em ramo verde, mas ouve alguns, muitos, dos seus executores que foram mais papistas que o Papa, que a terra lhes seja leve, escapei de boa, precisamente no ano que o entrevistado lá estava de serviço, estive a um passo de ir fazer companhia aos outros 463 detidos que lá estavam nesse ano!

sábado, 18 de janeiro de 2014

MOINHOS DE VENTO



A minha Terra tem na sua paisagem o que ainda resta dos Moinhos de vento, que quase rodeavam Vila Verde, assim não admira a minha constante colocação de fotos destes nos blogs, e no facebook, nós, cá da Aldeia que se situa num vale, olhávamos para o nascente e víamos uma meia dúzia de moinhos a moer o trigo e milho, virava-mo-nos para os lados do Convento, outra meia dúzia a fazer o mesmo, e se olhássemos para a Serra Galega apesar de mais distante ainda conseguíamos distinguir mais alguns, todos eles funcionavam, com a chegada da electricidade as moagens ocuparam o lugar destes, e hoje não haverá um único a  funcionar naquilo para que foi construído, moer cereais, são cada vez mais uma coisa do passado, e passará inevitavelmente para o domínio do interesse histórico-museológico, se ainda algum resistir ao tempo, e ás intempéries!


Entretanto, alguns proprietários desses moinhos receberam incentivos Estatais para a sua recuperação para que não os deixassem cair aos poucos, alguns aceitaram talvez na prespectiva da sua valorização e posterior venda para turismo, ou até quem sabe habitação permanente de alguém mais afoito ás ventanias constantes, pois não esquecer que estes foram sempres instalados nos altos das colinas ou mesmo serras para melhor captarem os ventos que os haviam de mover, mas a verdade é que a coisa não deve ter corrido como era esperado, e alguns desses moinhos recuperados estão hoje de novo a ameaçar ruina, eu que sou um assíduo visitante dos montes onde estes foram erguidos, não posso deixar de lamentar que estes pedaços da nossa história caiam sem que se vislumbre uma solução para o evitar, recordo que ainda no ano de 1968 havia 3.000 moinhos de vento a funcionar em Portugal, e ainda mais 7.000 moinhos movidos  a água, as chamadas Azenhas.


E apesar de tudo a solução para dar vida a estes símbolos do passado já distante, (pois a sua implementação em Portugal remonta ao século XIII) (não teria sido impossível de realizar, se o Poder instituído tanto a nível Nacional como Autárquico tivessem gasto uns tostões dos rios de dinheiro que entraram no Pais, seriam migalhas no meio dos gastos faustosos em tudo e mais alguma coisa, muitas deles só para encher o olho ao freguês), bastava que os acessos aos Moinhos, bem como implementar redes de água, esgotos e electricidade, para que eles servissem como segunda ou até primeira habitação. Não se gastaram e bem, muitos milhões nessas infraestruturas nos bairros clandestinos?) Então! Muita gente gostava de ter um moinho para esses fins, mas serem os possíveis compradores a colocar esses bens que atrás mencionei, torna a sua aquisição proibitiva, assim, quem por cá andar mais uns tempos vai assistir ao definhar destas verdadeiras orquestras, quando moíam todos ao mesmo tempo e todos com os seus búzios afinados, dava gosto ouvir estes sons, pelo menos mim dava, pois era a única «música» existente ao tempo!



Lembrei-me de escrever sobre os Moinhos não só porque sou seu visitante assíduo, mas também porque ainda esta semana quando fui acompanhar a minha vizinha á Granja, fiz uma subida até ao monte onde estão alguns desses resistentes, e observei que uma parte do caminho que leva aos moinhos está intransitável até para andar a pé, e na zona mais íngreme só uma viatura com tracção ás quatro rodas lá consegue ir, e com alguma habilidade da parte do condutor, sei também que um Amigo que adquiriu um, e tem andado a proceder a obras de melhoramento na estrutura, necessitou de adquirir algumas madeiras, pois a viatura que as transportava não conseguiu subir e teve ou de fazer transbordo, ou ser rebocada, pormenores não sei, sei que são gastos extras que nem todos se disponibilizam a fazer, por indisponibilidade financeira, ou simplesmente não estão para chatices, e as viaturas de tração ás quatro não são propriamente dadas!
Foto com as peças mais importantes num moinho de vento. Fonte: Tese da Drª Sílvia Lampreia Pinheiro.