domingo, 12 de fevereiro de 2012

Trabalhos de Ontem e Hoje

Ontem quando da minha caminhada por Caxias e Paço de Arcos, dei comigo a pensar em algumas profissões que desapareceram, umas para sempre, outras quem sabe não renascerão por aí para tentar debelar um  pouco o desemprego galopante, embora este também tenha muito que se lhe diga, e já agora que estou coma  mão na massa, sou de opinião que os Portugueses ficaram muito «fidalgos» em relação a trabalhos que julgam ser menos dignos, por todo o lado ouço falar as mais variadas línguas em especial nos tais trabalhos menos atractivos. como jardinagem, limpeza de ruas ou obras Publicas, e a língua Portuguesa de Portugal só no quentinho e de preferência com um computador em frente pois sempre dá para jogar umas cartadas ou bisbilhotar a Internet, cá o Rapaz quando lhe aconteceu ficar desempregado, foi trabalhar para a merda isso mesmo, para Estações de Esgotos, e podem crer que não me caíram os parentes ao chão, vão por mim, e façam-se á vida que a coisa não está para esquisitices. Era bom que, quem tem responsabilidades na área se empenhasse em esclarecer a nossa Juventude que todos os trabalhos são dignos, e não fazerem finca-pé em serem todos doutores, que isso não nos leva a lado nenhum.

Mas em frente, o que aqui me trouxe, foi as antigas profissões e já estou a desviar a conversa, no meu tempo de Rapaz novo, e situando-me na minha Terra., dei conta dos seguintes trabalhos, alguns com alguma complexidade, outros nem tanto, mas todos de utilidade, lembro os Cantoneiros das Estradas da defunta J.A.E. que tanta falta hoje fazem, Sapateiros, Barbeiros quando comecei a ter alguns pelos na cara havia três agora vai lá um, um dia por semana, Tabernas e Mercearias, para não me falhar a matemática, havia: o «Francês», Borges. «Chico Novo», José «Liso», Félix, Artur dos «Cucos» «Chico» Leonel, João da «Loja» «Alfaiate» «Armandinho» e Artur Faria. Agora o Clube, Victor e Hermínio, e receio que não haja Clientes para os três em quantidade para sobreviverem.

Havia Ferreiro, Ferrador, ( e que falta este fazia agora, para ferrar a quantidade de bestas que há por aí ) Moleiros vários, pois Vila Verde estava e está rodeada de Moinhos de vento, ( agora só servem para habitação) e ainda uma Azenha movida a água no nosso Rio Alcabrichel, também alguns Pescadores amadores, em que cá o Rapaz se destacou na apanha de Ruivacos e algumas Enguias neste mesmo rio, com o meu Amigo Eusébio e Companhia, dos quais fizemos algumas patuscadas.  Rio este mais tarde transformado em esgoto a céu aberto, e hoje em lenta recuperação. Sapateiros, Abegões ( estes assim chamados por conduzirem bois de trabalho, noutros pontos do Pais têm outras designações ) Pastores, Padeiros etc.

Depois havia os  Profissionais doutras áreas que sazonalmente lá se deslocavam para fazer alguns trabalhos especializados, e que na Terra não havia quem os executasse, ou ainda para vender alguns produtos ou mesmo animais, era o caso dos vendedores de Perus, que percorriam as diversas Terras com um bando dessas Aves  «a penantes», assim como os Porqueiros, que também de Terra em Terra com a sua vara de porcos na perspectiva de voltarem ás suas casas com algum dinheiro e de preferência sem porcos, também por lá aparecia um Cesteiro, que fazia os cestos para a vindima e alguns cabazes, para as Senhoras levarem os almoços aos Maridos e Filhos.

Ainda os Tanoeiros que próximo das vindimas lá iam reparar alguns barris e tonéis para a nova colheita que se aproximava, os Albardeiros, para reparar ou fazer de novo alguma albarda para os asnos ficarem apresentáveis quando no transporte dos seu donos para alguma festa nas redondezas.
Os Professores, (quase sempre Professoras), na minha primeira classe ainda foi um Homem mas a seguir sempre Senhoras, pelo que julgo saber, que por cá ficavam quase sempre por toda a época das aulas, em casas particulares, quando as suas Terras eram longínquas.

 Tínhamos as Máquinas Ceifeiras para «debulhar» o  trigo, que vinham da zona do Tramagal, terra onde eram construídas e que traziam consigo algum Pessoal, especializado, como  os «Aumentadores» os «Saqueiros» o «Arameiro  dos fardos da palha», ou o Homem que colocava em funcionamento o tractor que fazia trabalhar todo o maquinismo desde a máquina debulhadora á Enfardadeira.
Tínhamos também a visita do «Homem que fazia chover», pois a sua aparição era quase sempre em véspera de dia de chuva, o Amola Tesouras, que também consertava chapéus de chuva, alguidares e tachos de barro, a grande maioria com o seu boné á Basco, diz-se que vinham fugidos da Guerra Civil Espanhola.

Havia ainda os «Homens de Deus» que lá apareciam aos Domingos para as Missas semanais, ou durante a semana para encomendar as almas que se passavam desta para melhor, isto se fosse por morte natural, se fosse algum suicida, aí não havia padre que lhe salvasse a «alma» nem o Sacristão se dignava tocar o sino, neste caso os sinos pois são três os que assinalam a ultima viagem até á «Quinta das Tabuletas»
Mais modernamente parece que os Suicidas já podem ser acompanhados por Padre, desde que: «A Família apresente documento emanado da Autoridade competente comprovando a sua doênça» um passo curto, mas ainda assim um passo.

Outras visitas que recebíamos, com alguma frequência era a dos «Propagandistas» os tais da «Banha da Cobra» que segundo eles tinham remédios para tudo, desde os calos ás hemorróidas, passando pela alergia á água, síndrome de cadáver ambulante., ou ainda para o Síndrome de Sotaque Estrangeiro, curavam tudo pela módica quantia de cinco escudos, e ainda levavam uma pomada  para as frieiras á borla, bons tempos estes, em que tudo era curável, agora até uma constipação fica agarrada á gente como um carrapato.

Para o fim deixo a profissão que nos dias de hoje mais falta fazia, para fazer uma limpeza na podridão que está transformada a nossa Sociedade, os Capadores, mostro aqui numa foto que tal como a maioria tirei da Internet, e que é uma Lanceta, utilizada pelos Capadores que apareciam pela Terra para capar os barrascos, pois como todos sabem a carne destes se não lhes tirarem os «coisos» fica a saber a bedum, assim também para estes não cheirarem a bedum e para limpar a sociedade dos pedófilos e violadores que são noticia quase diariamente, deixo aqui a
solução, depois não digam que não tentei ajudar.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Cinquentenário da Sagres

Ontem o Navio Escola Sagres fez 50 que está em Portugal, embora tenha sido construído em 1937 na Alemanha, só em 1962 Portugal o adquiriu ao Brasil, para substituir a velha Sagres de boa memória, pois lá estive uma temporada quando fiz o I.T.E. na minha estadia na Armada, nesta que agora está de parabéns só lá entrei uma vez em visita de estudo estava ela ancorada na Base do Alfeite, já lá vão 47 anos, como dias de aniversário são sempre muito concorridos, pensei passar hoje por Alcântara onde está ancorada para tirar umas fotos e mostrá-las aqui em especial para a Rapaziada que andou pela Armada e que tem este bonito Navio como referência.

Pois queria tirar fotos mas nem sombra da Sagres vi. Apeei-me na Estação de Alcântara, segui até o mais próximo que pude do Rio, ( as vedações não permitem que um gajo esteja muito perto da água) olhei para a esquerda e direita e nada, dirijo-me a um Varredor que por ali andava se me sabia informar onde estaria o Navio, o Homem que não dizia uma palavra de Português ao fim de algumas tentativas apontou-me para um local onde se viam uns mastros, ainda era lusco-fusco e á distância não dava para ver que Navio era, dirigi-me para lá agradecendo a informação, e quando me consegui aproximar para aí uns 100 metros do Navio, deu para ver que não era a Sagres, como se pode ver nas fotos é maior e a bandeira que vi na Ré, embora meio enrolada pareceu-me ser a Espanhola, assim desanimado e cabisbaixo, lá fui caminhando mas de Sagres nem sombra, não sei o que se passa comigo, mas não acerto uma.

Vi entretanto ancorado próximo o Príncipe Perfeito, não o Paquete que tantos Jovens transportou para as Guerras em África, muitos só com viagem de ida! mas este um veleiro comprado á França em 2001 com o nome de LARS TORE, construído em 1949 e reconstruído nos nossos estaleiros Navais e rebaptizado de Príncipe Perfeito, serve para dar uns passeios pela Costa do Estoril tanto quanto consegui saber. Serve esta informação para recordar a nossa antiga Sagres no meu tempo Santo André e que ao contrário deste que agora falei, não houve o bom senso de preservar esse Navio, está neste momento no Porto de Hamburgo na Alemanha como Navio Museu e com o nome de RICKMER  RICKMRES, mostro uma foto deste Navio, para quem não conhece, é o Veleiro Verde com a linha de água a vermelho, (ou aparentado pois sou daltónico e não é de fiar quando me refiro a cores), se por acaso algum Leitor/A for a Hamburgo vá fazer uma visita ao Navio, que merece a pena.

Caminhei depois por essa Lisboa, tendo passado por Santos, Bairro Alto, desci as Escadinhas do Duque até ao Rossio, abasteci na Praça da Figueira, desci até ao Rio passando pelo Terreiro do Paço e daqui ao Cais do Sodre, onde embarquei no «dr. Cascais» até Paço de Arcos.










terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Resposta ao «Meu Confrade»

Devido aos muitos afazeres que me têm ocupado nos últimos tempos, só hoje vi e li a «carta» que o meu «Confrade» aqui publicou.
Começo por fazer um reparo, a missiva não vem assinada, sinal que não quererás ser identificado, acho bem, não vá o diabo tecê-las, pois fazes aqui umas acusações veladas a gente de muito poder, e posses, assim também não o vou fazer para mutua segurança, pois as coisas estão a ficar cada vez mais parecidas com tempos passados que não deixaram saudades, e ainda ficamos sem emprego.

Começo por te agradecer a tentativa de me animares, mas sabes isto já não vai lá com meras papas de linhaça, requer tratamento com antibióticos, e mesmo esses estou convencido que já não surtirão o efeito desejado, devido ás doses sucessivas deste fármaco que tenho ingerido ao longo da vida, mas vale a tentativa, outra coisa não esperava de ti.
Escrevestes algumas coisas que me «tocaram»: a dos Chineses a tomarem conta do «rectângulo» é uma delas, quem diria que um Pais que deu Mundos ao Mundo, estivesse agora a ser vendido a retalho a Chineses, Angolanos, (ainda á pouco nossos Colonizados) e pasme-se até ao Omã, (que os Portugueses ocuparam nos idos de 1500 até sermos de lá corridos pelos Otomanos corria o ano de 1659), vieram cá comprar 15% da R.E.N., como se pode constatar tudo Países onde a Democracia é tratada a pontapé! estaremos condenados a ter a companhia de ditadores á-de-eternos? um destes dias ainda temos por aí o Sultão deste ultimo Pais a fazer concorrência ao Alberto João.

Outra coisa que me fez recuar mais de meio século foi a referência que fizestes ao nosso começo de vida como trabalhadores, pois foi assim como dizes, mas achas mesmo que esta rapaziada que nos tem governado tem alguma ideia do que os Homens da nossa geração passaram? os que cá ficaram, e os que foram obrigados a sair? ainda hoje este que agora dirige o governo disse para os Portugueses não serem piegas, então o gajo é parvo, ou vive noutro mundo? então o Pessoal está a ser trucidado por estes mentacapos que nada fizeram pelo Pais, e ainda somos piegas? então os gajos acordaram connosco pagarem-nos determinados valores em determinadas prestações, agora roem a corda e nós não temos o direito de ficarmos indignados e chocados? se estes badamecos estivessem na situação da maioria dos Portugueses que fariam? resignavam-se? talvez sim, pois têm as costas quentes, e a carteira recheada o que não acontece  com a maioria do Povo.

Como vês, continuo como sempre, desanimado com o rumo que o nosso Pais está a tomar desde há muito, sem perspectivas para novos ou velhos., para os doentes ou para os saudáveis, onde diariamente deparamos com assaltos, assassínios, violações! Onde os Jovens são aconselhados pelo poder a imigrar, porque aqui foi chão que deu uvas, etc etc. etc. como é que um gajo não há-de ser pessimista? tu que és um optimista convicto já te vejo a vacilar neste texto carta que me dirigistes, é que um Homem não é de ferro, vai-se desgastando com tanta sacanisse que vai assistindo, e vai vendo os sacanas serem substituídos por outros iguais, e vai perdendo a esperança de algum dia as coisas entrarem nos eixos, assim só nos resta fazer como a avestruz enfiar a cabeça na areia, para não ver nem ouvir o que se vai passando neste «Jardim á beira Mar plantado» mas sem flores.
Manda sempre.
Tintinaine: copía o que entenderes da outra mensagem que referistes, á vontade. Um abraço

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Carta Para Mim

Caro «Comfradre»
Como seguidor do teu blog, e conhecendo-te desde sempre tenho vindo a Observar, que estás cada vez mais afastado destas lides, sabendo que és um pessimista militante, e verificando a situação a que o País chegou,  julgo não andar longe da verdade se afirmar que essa situação te está a pôr á beira de um «ataque de nervos» e mais afastado do convívio dos Amigos, quer seja pessoalmente ou através deste grande meio de comunicação que é a Internet.
A razão desta minha missiva é animar-te e trazer-te de novo ao nosso convívio mais assiduamente, pensa que á quem esteja pior, e nem assim desanime.

Outra das razões que julgo te está a atrofiar os miolos é a corja que se instalou de «armas e bagagem» cá por terras de Camões, concordo que custa ler, ver, e ouvir diariamente as noticias sobre as vigarices que vão acontecendo por cá, em especial as cometidas pelos políticos, e que nunca vão parar ao xilindró como seria normal num Pais civilizado, depois ainda temos os vira-casacas, que há uns meses quando se aperceberam que o Sócrates ia ao ar, fingiram que estavam zangados com ele, para agora se juntarem aos novos donos do poder, e assim darem a sua colaboração a rapar o que resta na gamela, são os chamados vendilhões do templo, que se vendem por trinta dinheiros, mas isso não é só um produto dos políticos, está enraizado por cá a todos os níveis, á quem lhe chame os lambe botas, eu chamar-lhe-ia gente sem carácter, e sem coluna vertebral, mas em frente, anima-te que a vida é curta e a morte está certa.

Há ainda sinais sérios de que a censura  anda por  aí pronta a tomar as rédeas da comunicação social, nós que já vivemos «outras épocas», lembramo-nos bem do lápis azul, mas aí era ás claras, todos sabíamos o que nos esperava, agora a coisa está mais refinada, e é feita ás escondidas (por enquanto) veja-se o caso da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1, sobre o programa Prós e Contras emitido em Angola, e que teve a coragem de chamar os bois pelos nomes, ou seja afirmou com todas as letras que o programa foi uma clara manipulação em favor do Governo Angolano, para ver se este envia para cá mais umas massas, isto foi  o suficiente para as crónicas do Homem terem terminado logo ali, vem o Governo Português ( o Relvas sabe-a toda) dizer que não tem nada a ver com o fim das crónicas, pois sim, nascemos ontem, como se nós não soubéssemos com quantos paus se faz uma canoa, e quem ouviu estes cavalheiros quando eram oposição, a criticarem a falta de Liberdade ( e com razão) em Angola, isto é demais até para mim que sou optimista! mas meu caro aguenta, que ainda a missa não saiu do adro.

Agora também são os Chineses a tomar conta da electricidade, a seguir quem sabe da água, quiçá das nossas Secretas, que tão mal têm andado, então estes gajos fartaram-se de gritar loas á ditadura Chinesa, e agora estão a vender o Pais a retalho a gente que de Liberdade só conhece o nome? é certo que esta rapaziada que governa por cá terá passado pela escola Maoista, quem não se lembra dos grandes educadores da classe operária que pelas alturas do Prec andavam pelo M.R.P.P.?  (agora voltou-lhes a saudade, vamos pagar isto com língua de palmo, não duvido), e logo que o comboio parou no apeadeiro do 25 de Novembro se transferiram de armas e bagagem para o então P.P.D., mas Homem a vida tem destas coisas, não podes andar desanimado dessa maneira, porque como diz o ditado: há mais Marés que Marinheiros, e isto um dia ainda vai acabar por apanhar o rumo certo, estes que nos têm andado a chupar, e que ainda por cima dizem que fomos nós que colocámos o Pais no buraco, algum dia ainda caem da cadeira, como o tio António de Santa Comba, e pode ser que apareça por aí alguém integro, para tomar o leme desta embarcação á tanto tempo á deriva. Anima-te


Sabes, como somos da mesma geração, e passámos pelas mesmas tormentas, também não ando por aí com o meu optimismo em alta, mas não nos podemos «deixar abater» por estas aves agoirentas que aqui pousaram para nos dar cabo do juízo, e lembra-te da nossa meninice, que nos obrigou a ser Homens aos 12 anos, com uma enxada ás costas a caminho das quintas do Rui do «Rato», trabalhando do nascer ao pôr do Sol, (e agora dizem-nos que não merecemos a reforma que se comprometeram a dar-nos, até que a morte se lembre de nós), comparado com esse tempo agora ainda estamos no paraíso, e depois, ainda! há uma certa Liberdade para poder-mos dizer o que nos vai na alma, (como não somos Jornalistas estamos safos da tesoura e lápis azul), e embora não pareça, para quem sempre viveu em Liberdade, para nós que andámos até aos vinte e tal anos de idade com a P.I.D.E, e a censura á perna, não é pouca coisa, portanto vamos desfrutar e animar que a  vida são dois dias segue o exemplo do nosso Presidente, que mesmo á mingua de dinheiro, lá continua firme no seu lugar.
Até sempre, e um sorriso faz sempre bem, anima-te que vem aí o Carnaval, altura certa para mandares estes gajos á merda sem te levantarem um processo, porque no Carnaval ninguém leva a mal!