Não tenho escrito sobre as exibições do Glorioso, e a razão é simples, não me tem agradado as exibições, nem na época passada nem no inicio desta, tirando alguns jogos a feijões, em que parecia que a coisa ía resultar, entrou novamente no marasmo da época anterior, e depois quando a coisa começa a correr mal mudo de canal, já não percebo o que se passa, compram carradas de Jogadores, qual deles apelidado de grande vedeta, e vestem a camisola do Glorioso e não jogam nada, será do peso desta? não sei, só sei que não estou a gostar, ontem apesar da aparência dos números, não perdemos por uma unha negra, salvou-nos o guarda redes Artur com mais uma grande exibição, estivesse lá o «frangueiro» Roberto e tínhamos levado para contar.
Continuo a gostar de Nolito, não só porque marca, mas pelo arreganho, nunca vira a cara, o mesmo direi de Aimar, um moiro de trabalho, e já tenho saudades do Carlos Martins pela mesma razão, lutava enquanto o fôlego o permitia.
A coisa começou logo a correr mal antes do inicio do jogo, com a nova águia a recusar-se a fazer o serviço que lhe estava confiado, isto é, dar umas voltas ao Estádio e pousar junto daquele naco de carne junto ao emblema com a imagem de uma sua antepassada, primeiro poisou na parede da «Catedral», e a seguir foi aterrar nas costas dum Cidadão que se preparava para assistir ao jogo, é caso para dizer que os dois Treinadores, o da Águia e o da Equipa bem podiam ir pregar para outra Freguesia, tão mal estão a preparar os seus pupilos, e já agora era melhor pôr outro nome á Águia, pois a Vitória já foi, não digo que lhe chamem Derrota, mas um empate não lhe ficava mal.
Mas enfim ganhámos, e pode ser que isto motive a Rapaziada, mas há ali uma desorientação grande, parece que ninguém sabe muito bem o papel que lhe está destinado.
domingo, 21 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Volta Zé do Telhado, Precisamos de Ajuda
Não sei porque razão, ando a pensar no famoso Zé do Telhado, mas é um facto que cada vez mais me vem á ideia as façanhas que desde sempre ouvi sobre este Personagem, não sei se isto acontece por todos os dias ser bombardeado com assaltos por todo o lado, se pelo que se ouve dos políticos e gestores sobre as grandes quantias que vão amealhando á custa do Zé, seja como for, presto aqui a minha homenagem a este «Amigo dos Pobres», exactamente, ao contrário dos ladrões de hoje que roubam aos Pobres para serem cada vez mais ricos, o nosso Zé do Telhado roubava aos Ricos para ajudar os Pobres., volta Zé que estás perdoado, os gajos da massa só largam alguma, se cá voltares com a tua rapaziada, não precisam trazer armas que o Corpo de Fuzileiros dispensa algumas, pois ainda só roubaram meia dúzia, se por acaso estes não tiverem mais, vão á Carregueira, pois aí também só roubaram dez, devem lá ter mais, e sempre são armas mais modernas que aquelas que vocês usavam nos velhos tempos, que já devem estar com algum reumático, devido á idade, e também do cacimbo que por aí é frequente.
José Teixeira da Silva, o Zé do Telhado, segundo o registo baptismal, terá nascido em 22 de Junho de 1818 e a primeira biografia do romântico bandoleiro saiu da pena do maior romântico da nossa literatura, Camilo Castelo Branco, que conheceu-o na prisão da Relação do Porto, onde ambos comungavam as instalações por diferentes razões.
O escritor ouviu-lhe as confissões e integrou-o nas suas “ Memórias de Cárcere “, publicadas em 1861.
A verdade e a lenda confrontam-se, no entanto á factos históricos inegáveis que José Teixeira da Silva, nasceu no 1818 no lugar do Telhado, freguesia de Castelões de Recezinhos, concelho de Penafiel. Com a idade de14 anos, vai residir para casa do tio João Diogo, castrador e tratador de animais, residente no lugar de Sobreira, freguesia de Caíde de Rei, concelho de Lousada, e por lá permaneceu durante 5 anos, até que se apaixona pela sua prima Ana Laurentina, tinha então dezanove anos.
Assentou praça no quartel de Cavalaria 2, os “Lanceiros da Rainha” e
No exílio recebe a notícia de que o tio, finalmente, abençoara o seu casamento com Ana e regressa a Portugal com o perdão oficial e casa com a prima a 3 de Fevereiro de 1845.
Em 23 de Março estala a “Revolução da Maria da Fonte”, liderada por mulheres. Há soldados que desertam para o lado dos revoltosos.
José Teixeira foi o líder militar da insurreição, à qual aderiram pés descalços e o General-Visconde de Sá da Bandeira, os actos de bravura, despojamento, apurado instinto militar, num combate que perdeu, valeram-lhe a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal: a ” Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”.
Derrotada a Patuleia, Zé do Telhado conta que arrancou as divisas e regressou a casa, findando aqui a sua experiência militar, mas é perseguido e está atolado em dívidas não consegue pagar, não há quem lhe dê trabalho.
Nesse tempo, Custódio, o “Boca Negra”, capitaneava a maior quadrilha de bandoleiros que aterrorizou as duas beiras em 1842, ferido num dos assaltos, “Boca Negra” leva Teixeira a um casario meio abandonado e apresenta-o como o novo líder.
Na noite de 16 para 17 de Março de 1857, Zé do Telhado é já alvo de uma caça ao homem sem precedentes, é preso no esconderijo, a 5 de Abril de 1861 e na manhã dia 25 de Abril, começa no tribunal de Marco de Canaveses o julgamento de José Teixeira da Silva, sendo condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida na Costa Ocidental de África e no pagamento de custas”, num julgamento de durou apenas dois dias. Condenado ao degredo, José Teixeira da Silva desembarcou em Luanda, seguindo para Malanje, onde viveu cerca de um ano, por lá fez-se negociante de borracha, cera e marfim, casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos e deixou crescer as barbas até ao umbigo, sendo por isso conhecido pelos nativos como o “quimuêzo” – homem de barbas grandes, viveu sem problemas financeiros, mas a saudade da mulher e dos cinco filhos levaram-no a morte mais cedo, contava com 57 anos de idade. Foi sepultado na aldeia de Xissa, a cerca de
Mausoléu do Zé do Telhado, em Xissa, Malanje, Angola.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Observando Lisboa e Linha de Cascais
Hoje fui dar uma volta por Lisboa, caminhei junto ao Rio até Alfama, uma repetição do que tenho feito vezes sem conta, como já escrevi é a minha zona da Cidade preferida, não sei se pelas suas Ruas estreitas se pelo casario quase todo ele antigo, se pelas Pessoas poucas pois aquela hora ainda estão recolhidas, e para mim quanto menos Gente melhor, o que sei é que saio normalmente sem destino, e quando dou por mim estou em Alfama, subi pelas escadinhas da Dona Rosa, e passei pelo Miradouro de Santa Luzia, desci pela Rua do Limoeiro (de má memória), e parei junto á Sé.
Aqui deparei com dois sem abrigo a levantar ferro, junto á Porta Principal do Monumento pois estava na hora da abertura da Porta aos Fiéis e em especial aos Turistas, e dei comigo a pensar cá com os meus botões, porque que é que a Câmara ou o Governo, ou ainda os dois em conjunto não arranjam umas habitações onde esta Gente possa dormir e fazer as suas necessidades fisiológicas? é que um gajo passa nos locais de pernoita destes, e aquilo é um cheiro a mijum que não se pode.
Aliás como podem ver noutra foto até nos bancos das paragens dos autocarros se ajeitam, e os pobres dos Passageiros levam logo pela manhã com aquele cheirinho a maresia que até estala.
Mas outra coisa me chamou a atenção, o estado deplorável em que se encontram os comboios da linha de Cascais, agora os «pintores da noite» até as janelas das carruagens pintam, e nenhum é apanhado, é estranho, ou há aqui conivência da empresa? é que a recolha é nas estações terminais, e estas têm vigilância Pessoal e com Câmeras, e não caçam nenhum «artista»? por outro lado o estado de limpeza e de manutenção está pelas horas da morte, aquilo chia por todo o lado, dá solavancos que parecem os carros quando passam aquelas lombas que inventaram para reduzir a velocidade nas Localidades, e estoirar os amortecedores dos carros, confesso que já não ando muito á vontade «nestes pouca terra, pouca terra» e no regresso vejo uma noticia no Jornal «Noticias de Cascais e Oeiras», que a linha está muito próximo de fechar, isto é que vai uma crise.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Warren Buffet
Ontem á noite, dei uma volta pelas noticias do dia, pela Internet, e nas referentes á economia lá estava uma que me chamou á atenção, li e reli, e hoje fui dar uma olhada pelas primeiras páginas dos Jornais para ver se algum deles teria colocado esta Noticia na sua primeira página, mas não, não sei se escondida nas páginas interiores teriam escrito algo, mas para mim teria sido Primeira Página em todos os Jornais do Mundo., tão raras são noticias destas, e de que tratava a noticia? simplesmente um dos Homens mais ricos do Mundo, «queixando-se» que só os «Pobres» estão a pagar a crise, bem sei que o Homem é Americano e as suas palavras referem-se ao seu Pais, mas gostava de ver a reacção dos seus pares Portugueses, pois por cá também há milionários, e crise para dar e vender.
Mas pensando bem, os nossos Jornais são a «voz do dono» e quem são os donos? Correio da Manhã, Record revista Sábado do Milionário Paulo Fernandes do Grupo Cofina.
Jornal de Noticias, Diário de Noticias, O Jogo e Rádio TSF, o milionário Joaquim Oliveira da Spor TvJornal Público, do Milionário Belmiro de Azevedo, então os Jornalistas destes Órgãos ditos de informação iam agora falar num assunto destes para serem despedidos? é que por cá, ser Filantropo é proibido, estou a lembrar o que aconteceu aqui há alguns anos, um Industrial quis oferecer um Jeep a cada Funcionário, e a família deu-o como maluco, e até hoje Jeep/s nem vê-los. Os «nossos» milionários só não nos tiram a pele, se não puderem.
O multi-milionário Warren Buffett, que prometeu doar 99% da sua fortuna para beneficência, doou este ano 1,92 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros). Esta é a maior entrega que o CEO da Berkshire Hathaway e lendário investidor faz desde a crise financeira de 2008.
O donativo feito à fundação gerida por Bill e Melinda Gates, em acções da firma gerida e detida por si, cresceu para 1,6 mil milhões de dólares, de 1,25 mil milhões de dólares no ano passado. Acrescem ainda contribuições no valor de 328 milhões de dólares a fundações da sua própria família, segundo um comunicado citado pela Bloomberg.
O lendário investidor de Omaha, com 79 anos, espera entregar 99% da terceira maior fortuna do mundo para caridade. Através de donativos das suas acções tipo B (que não incorporam direitos de voto) da Berkshire Hathaway a fundações encarregues de diminuir a fome e promover a saúde mundial, impulsionar a educação nos Estados Unidos e promover o acesso ao aborto, Buffett assegura o controlo da firma que gere há várias décadas.
O número de acções que entrega diminui em 5% a cada ano, sendo que o benemérito espera que a valorização normal dos títulos compense a diminuição do número de títulos que dá todos os anos.
É positivo que ele esteja a cumprir o plano”, disse o presidente e fundador do Instituto Americano de Filantropia, Daniel Borochoff à Bloomberg. “Outros beneméritos estão a reduzir os seus donativos” depois da crise financeira internacional, acrescentou.
Warren Buffet recebeu a medalha de mérito da liberdade do Presidente Barack Obama.
No video emitido pela Casa Branca fala que não existe nenhum poder na terra melhor do que o amor incondicional.
Portugal aprenderia muito com este sr se um dia fosse convidado para visitar o País. Warren Buffet é um dos responsavéis por ter evitado o colapso financeiro mundial em 2008 e é o maior benemérito da sociedade actual com a quase totalidade da sua fortuna doada à fundação de Bill Gattes
No video emitido pela Casa Branca fala que não existe nenhum poder na terra melhor do que o amor incondicional.
Portugal aprenderia muito com este sr se um dia fosse convidado para visitar o País. Warren Buffet é um dos responsavéis por ter evitado o colapso financeiro mundial em 2008 e é o maior benemérito da sociedade actual com a quase totalidade da sua fortuna doada à fundação de Bill Gattes
Warren Buffett defendeu hoje uma subida dos impostos para os mais ricos, criticando a desigualdade na "partilha de sacrifícios".
Num artigo de opinião no New York Times, o multimilionário norte-americano Warren Buffett criticou a classe política do país por considerar que a partilha de sacrifícios pedido à população tem sido profundamente injusta com as classes mais pobres.Os nossos líderes têm pedido que partilhemos os sacrifícios. No entanto, quando fizeram esse pedido, esqueceram-se de mim. Verifiquei com os meus amigos milionários para saber que sacrifícios lhes foram pedidos, mas também eles ficaram intactos", começa por escrever o Oráculo de Omaha, no artigo "Parem de mimar os super-ricos".
Buffett deu mesmo o exemplo dos seus rendimentos. "No último ano, a minha conta fiscal - o imposto sobre rendimentos que paguei, tal como os impostos sobre salários pagos por mim e em meu nome - era de 6.938.744 dólares. Parece ser muito dinheiro, mas apenas foi 17,4% dos meus rendimentos tributáveis - e, na verdade, é uma percentagem menor do que foi paga por qualquer uma das outras 20 pessoas do meu escritório. As suas taxas de impostos estavam entre 33% e 41%", revelou.
Nesse sentido, o célebre investidor diz que "é bom ter amigos em lugares altos" em Washington: "Dão-nos estas e outras bênçãos por se sentirem compelidos a proteger-nos, como se fossemos uma espécie em vias extinção."
Enquanto as classes baixa e média lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a maioria dos americanos luta para fazer face às despesas, nós, os mega ricos, continuámos a ter isenções fiscais extraordinárias", confessou.
Parece que foi ontem, mas já lá vão 34 anos que o «Rei» Elvis Presley partiu, tal como muitos artistas, não resistiu aos abusos que o muito dinheiro ganho lhe proporcionou. Com uma voz fabulosa, foi uma pena ter partido tão cedo.
Que descanse em Paz.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Moçambique
Hoje escrevo aqui umas letras só para introduzir o artigo que Margarida Rebelo Pinto publicou no Jornal «O Sol», e penso que faz todo o sentido aqui mostrá-lo, pois o blog é visitado por alguns Amigos que estiveram em Moçambique e embora em situação de Guerra não se cansam de falar (bem) deste Pais, e apesar de lá terem saído há mais de quarenta anos nota-se a sua grande paixão por esta Terra e pelo seu Povo, por mim que nunca lá estive, sinto-me contagiado. Então leiam e fiquem bem.
Os paraísos servem-nos para esquecer que o resto do mundo existe ou para nos lembrar que o mundo pode ser um lugar melhor? Depois de uma semana em Moçambique, onde visitei Maputo e as belas ilhas do Bazaruto e de Santa Carolina, regressei de África com a sensação de ter visitado uma outra face da terra.
Por mais filmes que se vejam, mais livros que se leiam, por mais documentários e notícias que nos passem debaixo dos olhos, África só pode ser absorvida, entendida e sentida in loco, com as suas cores e os seus cheiros, a sua beleza e a sua miséria, a sua música e a sua magia, a sua imensidão e as suas gentes. Foi preciso ir a África para finalmente perceber a nostalgia incurável, qual malária do coração, dos que lá nasceram, cresceram ou viveram, e que a descolonização obrigou a uma partida forçada.
O que mais me tocou em Moçambique foi o povo moçambicano: educado, afável, tranquilo, feliz. Apesar da miséria, apesar da fome, apesar das doenças, apesar de tudo. África é um continente sem filtro; tudo se vive à flor da pele e em carne viva. E tudo é brutal, seja o belo ou o horrendo. Mas os moçambicanos possuem uma doçura que deve ser só deles e que me conquistou para sempre. Viajei para lá contente e regressei feliz. Fui leve e voltei ainda mais leve.
À parte do clássico episódio da intoxicação alimentar, tive uma viagem de sonho, não só pela beleza de tudo o que vi, pela forma como fui tratada. Os empregados do Pestana Lodge no Bazaruto já sabiam o meu nome desde o segundo dia e quando foi preciso tratar da maleita, fizeram-me canja, maçã cozida e não descansaram enquanto não me viram outra vez com cores na cara. Ora este tipo de atenção não está incluído naquilo a que chamamos serviço de luxo. Um calor genuíno fez-me pensar como nos relacionamos com os outros, independentemente daquilo que eles nos possam darem troca. Uma atitude generosa gera quase sempre generosidade do outro lado. A paz puxa a paz, a bonomia puxa a bonomia, a empatia gera empatia.
Não sei quando voltarei a África nem sequer se o que lá vivi perdurará na minha existência, mas tenho a certeza de que aprendi mais do que penso, de que vi mais do que acredito ter visto e de que guardei mais do que agora me lembro. O que eu sei é que me ficou na pele aquela forma de ser e de estar moçambicana, os sorrisos que dão a volta à cara toda, as músicas entoadas nas carrinhas de caixa aberta que atravessam a cidade ao fim-de-semana com dezenas de homens e mulheres a caminho de um casamento, a alegria natural e espontânea que nunca pode ser fingida nem fabricada. Há muito amorem Moçambique. Muito amor e muito prazer, apesar da fome, apesar da miséria, apesar de tudo.
Por mais filmes que se vejam, mais livros que se leiam, por mais documentários e notícias que nos passem debaixo dos olhos, África só pode ser absorvida, entendida e sentida in loco, com as suas cores e os seus cheiros, a sua beleza e a sua miséria, a sua música e a sua magia, a sua imensidão e as suas gentes. Foi preciso ir a África para finalmente perceber a nostalgia incurável, qual malária do coração, dos que lá nasceram, cresceram ou viveram, e que a descolonização obrigou a uma partida forçada.
O que mais me tocou em Moçambique foi o povo moçambicano: educado, afável, tranquilo, feliz. Apesar da miséria, apesar da fome, apesar das doenças, apesar de tudo. África é um continente sem filtro; tudo se vive à flor da pele e em carne viva. E tudo é brutal, seja o belo ou o horrendo. Mas os moçambicanos possuem uma doçura que deve ser só deles e que me conquistou para sempre. Viajei para lá contente e regressei feliz. Fui leve e voltei ainda mais leve.
À parte do clássico episódio da intoxicação alimentar, tive uma viagem de sonho, não só pela beleza de tudo o que vi, pela forma como fui tratada. Os empregados do Pestana Lodge no Bazaruto já sabiam o meu nome desde o segundo dia e quando foi preciso tratar da maleita, fizeram-me canja, maçã cozida e não descansaram enquanto não me viram outra vez com cores na cara. Ora este tipo de atenção não está incluído naquilo a que chamamos serviço de luxo. Um calor genuíno fez-me pensar como nos relacionamos com os outros, independentemente daquilo que eles nos possam dar
Não sei quando voltarei a África nem sequer se o que lá vivi perdurará na minha existência, mas tenho a certeza de que aprendi mais do que penso, de que vi mais do que acredito ter visto e de que guardei mais do que agora me lembro. O que eu sei é que me ficou na pele aquela forma de ser e de estar moçambicana, os sorrisos que dão a volta à cara toda, as músicas entoadas nas carrinhas de caixa aberta que atravessam a cidade ao fim-de-semana com dezenas de homens e mulheres a caminho de um casamento, a alegria natural e espontânea que nunca pode ser fingida nem fabricada. Há muito amor
Margarida Rebelo Pinto - no : "O SOL"
E agora a minha homenagem a dois grandes Moçambicanos
João Maria Tudela e Eusébio da Silva Ferreira, este último que tanta falta tem feito ao Glorioso, que nunca mais acerta o passo.
domingo, 14 de agosto de 2011
Os Mortos Vivos Estão em Lisboa
Sempre que passo na Rua da Escola Politécnica, junto á porta principal da Procuradoria Geral da Republica, lá está um Casal com com um grande placar onde esta afixado o que julgo ser «pedaços da sua história» independentemente do tempo que faz lá os vejo sempre, mas isto começou-me a intrigar e fui tentar saber a razão do protesto, e então fiquei a saber que aqueles dois Cidadãos Marido e Mulher estão mortos, é verdade foram os dois declarados mortos nos idos de 1964 e até hoje a justiça ainda não os conseguiu ressuscitar.
O «Morto» é o Sr. Florido Sampaio Beja, e a «Morta» a Esposa deste Dona Flora Beja.O Sr. Florindo veio de Nelas para Lisboa ainda não tinha dez anos, concluiu por cá a quarta classe, e de seguida foi trabalhar para uma Fábrica de vidro no Campo de Santana, mandou vir os dois Irmãos que estavam na Terra custeou-lhe o sustento e os estudos, até que um se fez Juiz e o outro Notário, um dia precisou de tirar um documento e estava morto e enterrado na campa nº 235 do cemitério de Aljustrel, a Esposa depois da morte do Marido casou novamente e terá também morrido de seguida, tendo sido enterrada em parte incerta, e a Filha foi dada como desaparecida, os bens, esses após a morte de toda a Família foi parar ás mãos dos dois Irmãos, segundo a informação do próprio «Morto».
O «Morto» que se reformou da Industria vidreira em 1995, transferiu-se no ano seguinte 1996 de «armas e bagagem» para junto do Procurador da Republica para ver se este o conseguia trazer á vida, mas já vai no terceiro Procurador, e aqui continua, já foi preso mais de trinta vezes, internado no Miguel Bombarda outras tantas, porque diz que está vivo e a justiça não acredita, diz que esta maluco, e assim lá vai continuando a marcar presença diária a partir das sete da matina até á noite de há quinze anos para cá, é obra.
A História aqui contada em 2004
Um História do Arco da Velha
Os mortos-vivos continuaram a insistir em reclamar o seu lugar entre os vivos que pelos vistos não querem nada com eles.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Sonhei Acordado
Hoje fui dar uma volta por Lisboa, que começou na Estação da C.P. de Alcântara, passei pela Av. de Ceuta, Praça da Armada onde fotografei a Casa da Mariquinhas, penso que não será aquela que os nossos melhores Fadistas cantam, (pois estes continuam á sua procura) mas aqui fica a foto, passei pelo Jardim da Estrela onde fui «atacado» por um bando de Gansos, daqui até á Av. da Liberdade que desci até ao sitio do costume, e daqui mais um pouco até á Doca da Marinha e Ministério das Finanças que fica em frente.
Ora aqui começa verdadeiramente aquilo que aqui quero partilhar, numa das transversais á Rua Augusta, num Quiosque de Jornais que os tem expostos numa das paredes laterais, tenho o hábito de ler as primeiras páginas, e hoje em pelo menos dois deles, tinham em letras bem gordas uma chamada, para o que o Ministro das Finanças ia pelas nove da manhã anunciar, e que era num deles «Cortes» em letras garrafais, e num outro «Cortes Brutais» isto ficou-me cá a trabalhar nos poucos neurónios que ainda me sobram, e quando chego junto ao Ministério das Finanças vejo um grande aparato de carros de reportagem de exteriores das Televisões, e Jornalistas, e pensei cá para comigo, a coisa desta vez vai estoirar, agora é que a porca torce o rabo.
Andei mais uns metros no sentido do Cais do Sodré, e junto ao Cais das Colunas vejo as Fragatas João Roby e Afonso Cerqueira em marcha lenta, Canhões em posição de fogo, e ainda outro Navio de menor porte que não identifiquei porque estava mais longe mas que me pareceu um Patrulha, e mais uma vez pensei para os meus botões, desta é que vai, daqui a pouco lá vai o Ministério das Finanças pelos ares e vou ter aqui uma Revolução ao vivo e a cores, mas o tempo ia passando e nada, as Fragatas ao fim de algum, tempo fizeram a agulha e aproaram ao Alfeite e por lá ficaram, para grane decepção minha.
E assim enfiei a viola no saco e fui até ao Comboio que me traria de volta a Paço de Arcos sem ter ouvido um tirinho, ainda avistei um Veleiro quando vinha junto á Estação de Algés que pensei que iria até ao Mar da Pallha para evacuar a Troika, no caso de a coisa aquecer, sim que estes também por cá estão com a mala para levarem os juros do empréstimo, mas qual quê, foi mas juntar-se aos outros lá para o Alfeite que o fim de Semana está aí, e Agosto não é mês para Revoluções, e nós a levar porrada de criar bicho, com este ou outro qualquer Governo, para ajudar a pagar aos Cidadãos de 1ª que todos eles protegem, nomeiam e renomeiam, que contra isso a tal Troika não se mete, comem da mesma gamela pudera, ao Zé só lhe falta colocarem a albarda ás costas como muito bem definiu Rafael Bordalo Pinheiro.
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