segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CAMINHANDO, AO AMANHECER

Para variar hoje não vou criticar nada, assim os mais sensíveis podem ler á vontade a mensagem, que só vão ler coisas positivas, bebi esta boa disposição na mesma torneira em que o Governo se abastece, é só saúde, boa disposição e dinheiro para os tremoços, o Povo em que me  incluo, não necessita de mais nada para andar-mos com um sorriso de orelha a orelha, vem este introito a propósito de alguns Amigos andarem um bocado insatisfeitos com as minhas «crónicas de levantar alguma lebres» isto é, ir observando algumas coisas que deviam ficar no «segredo dos Deuses», tenho muita pena de os decepcionar, acontece que no primeiro dia que escrevi num blog, já lá vão alguns anos, alertei que: "Sou pessimista militante" entre outros defeitos que constam do meu perfil, e não vou mudar, aliás não era capaz de mudar, é impossível observar algo que mexa com todos nós e ficar calado.

Assim, como ontem escrevi no Facebook estive em Vila Verde e estando lá e não tendo parceiro para caminhar, (o Vicente está de «espinhela caída» que o impede de dar á perna, vê lá não te habitues a ficar no sofá que isso só faz azia, cura-te depressa que na próxima ida aí tens de estar fino) dizia quando caminho só, invariavelmente faço-o no Montejunto, e hoje não fugi á regra, cheguei junto á casa do guarda ainda lusco fusco, fui andando e desta vez fiquei surpreendido por ver muitas aves, não sei o que se terá passado para hoje aparecerem tantas e diversificadas, ao contrário do habitual, ainda bem pelo menos não ando só.
Ainda não tinha visto cogumelos, hoje estavam lá alguns á minha Espera, e não os deixei defraudados, trouxe-os comigo, e daqui a pouco a «Patroa» vai prepará-los para o jantar.

Nesta caminhada aproveitei para apanhar umas ramagens que habitualmente nesta época de Natal costumo usar nas jarras cá de casa, mas a coisa está a ficar pobrezinha, encontrei poucas e de mau aspecto, há quem pense que se trata de azevinho, mas não, esse é protegido e não se pode apanhar, pois está em extinção, por falar em Natal já tenho a minha Árvore aqui na rua iluminada, como moro num local elevado, habituei-me, primeiro a montar uma estrutura no ponto mais alto, mais tarde com uma ameixeira aqui mesmo á porta com tamanho já razoável comecei a fazê-la aqui, entretanto os anos foram passando, a ameixeira envelheceu, e só ficou praticamente o tronco, agora ressuscitada mas ainda pequena já levou a iluminação, a que fica dentro de casa ainda não está, porque é o meu Neto mais novo que a vai decorar, e espero que durante a semana passe por aqui para a montar e decorar..

Como se vê ainda não critiquei nada até agora, o que não deixa de ser um quase milagre, então aqui vai, já escrevi sobre o assunto mas volto á carga, foram cortados a eito os grandes pinheiros na vertente Sul da serra de Montejunto, que foi atingida há mais de um ano por um incêndio, acontece que havia vários pinheiros que embora tivessem sido «lambidos» pelo fogo na base,  devido á sua grande altura a parte superior manteve-se intacta, aliás como se pode ver na grande montanha de ramagem que lá está, ainda mais verde que as camisolas do Sporting, ora passados 14 Meses após o fogo, é sinal que ainda estariam ali para as curvas, e o que mais me intriga, é terem levado os troncos, e que troncos! (que a esta hora já estão a ser vendidos como tábuas, barrotes, ripas e outras miudezas), e terem deixado as ramas, quem sabe á espera que alguém lhe pegue fogo, para não terem trabalho de as transportar dali, é apenas suposição minha, mas aqui há mistério!
Na nova Escola lá continuam a encher placas de betão, cada visita que faço, lá estão camiões- betoneiras uns atrás dos outros a descarregar betão, já sei entretanto que afinal não é uma Escola mas sim um Bunker que estão a construir para o caso de uma guerra atómica os Vila-Verdenses terem abrigo, pois como raça apurada que somos não nos podemos extinguir! Vamos ficar cá para semente!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

LÁ VAI LISBOA

Na minha última visita á Capital, ontem mesmo, não pude deixar de observar algumas coisas que gostaria de não ver, algumas já velhas, outras novas e outras assim assim, vamos começar pelo inicio;
Saí no Cais do Sodré, pelas 6h40, portanto ainda noite, caminhei junto ao Rio, mais propriamente na zona ainda, e sempre em obras em frente ao antigo Arsenal, e tal como na semana passada comecei a ver água a sair das chamadas caldeiras das árvores ali plantadas, mas que diabo, durante mais de uma semana ninguém reparou nisto? Ainda noite tirei duas fotos e segui, fui andando sem rumo, por aqui e por ali, não procurando nada em especial, mas sempre de olho e ouvido alerta!

 
Subi até á Av. da Liberdade, desci, e quando ia a passar em frente á Igreja de São Domingos vejo o triste espectáculo que aqui deixo em fotos, vários sem abrigo em fila junto á parede duma casa de Câmbios, e paredes meias com um Café já aberto àquela hora. Andei mais um pouco e estou no café do costume, desta vez demorei-me lá mais do que o habitual, pois estabeleci lá diálogo com uma quase vizinha pois é de Torres Vedras, e tem por ocupação distribuir o "Leitão de Negrais", já nos tínhamos cumprimentado noutras ocasiões, hoje conversámos.


Saí, encaminhei-me pela Rua dos Fanqueiros, olhei para dentro do prédio onde está o novel elevador do Castelo, inaugurado com pompa e circunstância a 31 de Agosto passado, olho para dentro do edifício, vazio de Pessoas, mas cheio de andaimes, portanto em obras já está, será que ainda funciona?

Desci mais um pouco, e estou no Terreiro do Paço, onde o buraco que já mostrei mais de uma vez lá continua, firme e hirto, á espera sabe-se lá de quê, encaminho-me para o Cais do Sodré e quando passo junto ás nascentes de água que falei de inicio, na esperança que já alguma alma caridosa com voto na matéria tivesse fechado a torneira, nada, tudo na mesma como a lesma, tirei mais uma foto e segui viagem antes que me caísse mais alguma chama no regaço como ia acontecendo á dias, pois o local é ali mesmo ao lado.
Só me resta acrescentar o seguinte; será que esta gente que dirige  o departamento de jardinagem tem alguma noção do custo e do trabalho que esta água aqui desperdiçada tem? Saberão por acaso que captada no Castelo do Bode, tratada na Asseiceira, e transportada até Lisboa custa muito dinheiro a todos nós? Se por acaso sabem disto, terão passado esse conhecimento aos seus subordinados? Que responda quem souber.
 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MAIS PLÁSTICOS, NÃO!

Levantei-me há hora do costume, tratei de mim e do cachorro, caía um borriço leve, á cautela vesti calças e blusão impermeável, ás 6h45 saí para caminhar, ainda não tinha andado mil metros e começa a cair uma carga que até fazia fumo, mas que importa, estou protegido, para além dos plásticos que me cobrem, ainda levo um chapéu de chuva que pelo seu tamanho abriga uma casa de Família, comprado nos Chineses aqui em Porto Salvo há duas semanas, portanto estou preparado para o que der e vier.

Mas a pouco e pouco começo a sentir humidade nas pernas, depois mais acima e rapidamente chega á careca, mas afinal que raio de equipamento é este? Fato supostamente impermeável, um chapéu de chuva e estou todo molhado, isto é tudo falsificado, vou chamar a A.S.A.E. quem defendo um pobre caminhante que adquire equipamentos falsos? Bem isto não tem remédio agora até os pés já navegam em vez de caminhar, estou lixado apanho para aqui uma grandessíssima constipação e vou desta para melhor, é bem feito para não andares á chuva, esperavas um bocado que vai estar um dia de Verão, é para aprenderes a ser paciente, para a próxima, tens lá aquela coisa que faz que anda, mas não sai do mesmo sitio e estica as pernas aí!

Mas enquanto andava molhado que nem um pinto, ia pensando na minha Juventude quando ainda não havia plásticos, o trabalho era a quilómetros de casa feitos a penantes, o abrigo possível era uma saca de sarapilheira, que antes tinha sido usada no transporte de adubo ou amónio, e era uma festa quando nos arranjavam uma para reserva, porque a molhada para enxugar demorava uma semana, chapéus era só para rícios ou remediados, o que não era o meu caso, molha em cima do cabedal era coisa normal, muitas vezes quando chegava ao local do trabalho já ia encharcado. Mais tarde com a chegada dos sacos de plástico que vinham no interior das sacas de sarapilheira para melhor proteger os adubos da humidade, a coisa melhorou um pouco, mas os plásticos eram poucos e não chegavam para todos, quem os tinha já se resguardava mais um pouco das intempéries, digamos que era mais ou menos como o meu impermeável de hoje, molhava-se na mesma, mas com mais dignidade! Mais estilo!

E como a conversa veio desaguar nos plásticos, direi que estes estão na actualidade a milhas da muita alegria que deram a muita Gente ao longo das últimas décadas, de facto o plástico nas suas diversas versões e aplicações foi um avanço muito grande em quase tudo o que nos rodeia, para qualquer lado que nos voltemos vemos plásticos, eles estão em casa, no carros, nos cafés e hospitais, oficinas e bibliotecas, estou a dedilhar num teclado que é isso mesmo, á minha frente tenho um monitor em que mais de metade é plástico, no computador idem, na impressora ou no router a mesma coisa tenho á minha frente a televisão, a box, o posicionador de satélite, olho para a direita o estore de plástico, em frente a mesma coisa, gaita que isto já é plástico a mais, vamos pagar caro esta brutalidade que leva mais de 100 anos a desaparecer quando o enviamos para o lixo.
 
As próximas gerações vão ter muito que se entreter na caça ao plástico, os Mares, rios, lixeiras etc. etc. estão completamente atafulhados destes lixos não degradáveis, vamos voltar ás garrafas de vidro, e ás serapilheiras, e vamos acabar com esta poluição? Por mim, amanhã de manhã cedo, vou com o fervedor ao Manuel José de Matos comprar o leite para o pequeno almoço, ao Francês comprar 1/4 l de azeite, na garrafa de vidro que tem anos, ao Félix meio quilo de arroz em pacote de papel pardo e meio litro de tinto, mas em garrafa de vidro também! Ao Zé Lourenço meia dúzia de rebuçados para a tosse, que a molha de hoje atacou-me os brônquios! E quem sabe, os miolos!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

CONVENTO DA VISITAÇÃO

Hoje fui fazer uma caminhada visita ao Convento da Visitação em Vila Verde dos Francos, na companhia do Vicente, tinha ficado acordado desde a semana passada um determinado itinerário, mas ao passar-mos junto ao portão principal do Convento estava lá o responsável pelo dito, que a  meu pedido nos franqueou a entrada, dando-nos «carta branca» para visitar-mos o que quiséssemos sem restrições, agradecemos á saída e aqui reforço esse agradecimento, para o caso de alguém ler o blog e lhe possa transmitir esse agradecimento. A seguir deixo um breve Historial do Convento.
 

Convento de Nª Sra. da Visitação

A Quinta do Convento da Visitação guarda ainda hoje a memória dos jardins islâmicos da cultura do Al-Garb Andaluz das quintas dos antigos Almoxarifes de Alenquer e Óbidos que a partir dos finais do século X vieram procurar nesta região litoral um local aprazível onde passar o Verão, tendo sido constituído domínio senhorial em 1233, no reinado de D. Sancho I.

Gonçalo de Albuquerque, Senhor de Vila Verde, e pai de Afonso de Albuquerque, (primeiro vice-rei da Índia), terá edificado o primeiro Convento da Visitação que desapareceu. Nos finais do séc. XV iniciou-se a campanha de obras do segundo Convento, onde João de Castilho trabalha: tendo-se conservado a Sala do Capitulo, a Sacristia, a Igreja e a torre sineira.


A pedra tumular de D. Pedro de Noronha (Sexto Senhor de Vila Verde e irmão de Afonso de Albuquerque), datada de 1566, encontra-se no centro na nave central da igreja. Também D. Natércia de Ataíde, a eterna namorada de Luís de Camões e mulher de D. Pedro de Noronha (Sétimo Senhor de Vila Verde), se encontra sepultada na galilé da igreja.

O retábulo de pedra do altar é do final do séc. XVII, e está atribuído a João Antunes , arquitecto régio de D. Pedro II. A nave principal está revestida a azulejos azuis e brancos de albarradas do período Joanino, e os da capela-mor terão possivelmente sido encomendados a Valentim de Almeida pela primeira mulher do 1º Marquês de Pombal, Teresa de Noronha e Bourbon, donatária do Convento.

Capelas e Ermidas do Convento de Nª Sra. da Visitação
A quinta tem ainda três capelas ou ermidas, uma dedicada São Diogo, outra a Sta. Madalena e a terceira a Santo Onofre.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

UMA TAMGENTE

As coisas por aqui estão a ficar pretas, senão vejam o que se passou hoje comigo, embora já não seja novidade acontecerem-me coisas do arco da velha, desta vez ouve exagero, e só estou aqui para contar por mero acaso, e ter ainda o pé ligeiro, caso contrário estava frito, como já tenho afirmado noutras ocasiões, o ditado aplica-se-me como uma luva "vaso ruim não parte"!


Mas vamos ao inicio para não perder o fio á meada, olhei para o relógio, e vejo 5h30 da madrugada, bem vou aproveitar que os manda chuvas deram bom tempo para hoje e vou até á Capital, aproveito e vou no comboio das 6h21, pois o das 6H51 anda a ficar com muita Gente para o meu gosto, faço a minha higiene e dirijo-me para o melhor local da casa, a cozinha, olho para o relógio que tenho na parede e, gaita, 4h40, enganei-me nas horas, é pá o primeiro comboio é só ás 5h51, que se lixe, vou encher a pança mas não volto para a cama, sento-me na sala caladinho para não acordar a Mulher e Filho, e ás 5h20 saio vou dar uma volta com o Sanção, dou-lhe de comer e sigo para Paço de Arcos, ainda espero uns minutos o comboio chega e lá vou eu com destino a Lisboa.

Ia com destino a Lisboa, mas quando vou em Belém! Porra, então não me esqueci de validar o titulo de transporte? E se aparece o «Picas» levantei-me olhando para um e outro lado da carruagem e rezei para que o Homem não aparecesse até á próxima a Estação, respirei de alivio quando sai em Alcântara, eram 6h04, bem lá vou  pela 24 de Julho, até Santos daqui ao Cais do Sodré, mas em frente é que é Lisboa e vou embalado só travo junto a Santa Apolónia, precisamente no momento em que o Sol aparece no horizonte, faço as fotos da praxe, e inversão da marcha, encaminho-me para Alfama, sigo pela rua do Jardim do Tabaco, Cais de Santarém, rua da Madalena, Praça da Figueira, onde bebo o cafezinho da ordem, e desço até ao Tejo, e aqui é que a porca quase torceu o rabo!

Pois foi, vinha eu todo entretido com os meus pensamentos positivos como é habito, tentando juntar as pontas daquilo que tinha observado para passar a escrito quando chegasse a casa quando oiço um som de coisas a cair que se ia aproximando de mim, como no local, (mesmo em frente ao antigo Arsenal da Marinha e a poucos metros do Terreiro do Paço) andam em obras há uma eternidade e sobre as quais que já aqui falei várias vezes, as últimas a referir os banhos que os apeados iam levando das águas agitadas do Tejo, portanto as obras continuam e agora mudaram o traçado para carros e Peões, estes com uma passagem de pouco mais de um metro de largo, dum lado rede a separar da obra, do outro para não sermos atropelados uns mamarrachos de plástico que se enchem de água para que o vento os não os desloque do local onde são colocados.
 
Mas como ia dizendo comecei a ouvir um som que me pareceu que fosse a Rectroescavadoura a trabalhar no local a arrastar pedras ou rochas, mas de repente começo  ver a rede a esticar na minha direcção, empurrada por alguma coisa que pensei que fosse a pá da escavadora, mas aquilo não parava, saltei para a estrada, (felizmente que não calcei nenhum dos automóveis que àquela hora circulavam) mas que pararam ao se aperceberem que atrás de mim outras Pessoas fizeram o mesmo, a coisa entretanto parou, ocupando todo o passeio provisório, e só aí consegui ver o que tinha acontecido, estava uma quantidade de chapas de aço de milhares de quilos cada uma delas apinhadas junto á vedação, essas chapas são para o trânsito circular por cima delas quando abrirem um canal no local, a cavalgadura que estava a trabalhar com a Rectroescavadora deu-lhe uma pancada e aquilo parecia um baralho de cartas a desmoronar-se, direitinho ao passeio, não matando ninguém por mera sorte.
Cheguei a casa três horas e meia depois de sair, e já não me atrevi a sair, vou mesmo ser Monge, está tomada a decisão, para a rua é que não volto!