Mais um barrete que me enfiaram, sou um crente, acredito em tudo o que me dizem, que oiço ou leio, desta vez foi a leitura dum jornal daqui da Região de Oeiras que me obrigou a ir «investigar» uma noticia que li antes de ontem, dizia que o Passeio Marítimo em Paço de Arcos estava a ser intervencionado com obras de vulto incluindo máquinas pesadas, e sujeito a interdição de Pessoas, obras essas para reparar os estragos causados pelo mau tempo de há semanas, ora cá o rapaz já não circula nessa zona do Passeio Marítimo há algum tempo, e não gosto de ser apanhado em contrapé, vou já observar o que se passa por lá, e o que se passa? Nada! Então mas estes gajos dão as noticias sem investigar se são verdadeiras? Parece que sim, ainda bem que nada se passa, a única coisa que vi fora do sitio foi já no acesso á Praia, meia dúzia de fitas a interditar a passagem, enfim nada de extraordinário, só não gostei do barrete.
Não perdi nada a não ser o combustível, mas ida e volta são dez quilómetros, o Passos saca-me mais e eu não reclamo, mas claro eu aproveitei para fazer a caminhada, fui até ao final do Passeio junto á Praia da Torre, sete quilómetros no total, e deu para observar bastantes Pescadores, tanto em terra como de barco, e ao ver esta azafama fez-me recuar umas décadas quando, com outros Amigos fazíamos grandes pescarias no Rio Alcabrichel, na altura conhecido simplesmente pelo rio da várzea, isto foi no tempo em que cada qual arreava o calhau no seu quintal, ou na melhor das hipóteses no velho e saudoso penico, porque a partir do momento em que entraram em acção as modernas cagadeiras todas elas a descarregar no rio, acabou a pesca, e a coisa agravou-se ainda mais quando se lembraram de fazer os lavadouros públicos também ele a descarregar carradas de sabão azul e branco e lixivia para lá, com roupas usadas durante uma semana inteira a trabalhar no campo, com suores frios e quentes, muitas alcagoitas agarradas ás ceroulas, e os peixes a comerem toda esta caldeiradas!
Aliás a última pescaria que lá fizemos, e que se preparámos para saborear junto ao Passal (que deitaram abaixo para construir os ditos lavadouros), dizia que os últimos peixes apesar de toda a nossa boa vontade não os conseguimos engolir, aquilo mais parecia uma sabonária, em alternativa foram descobertos uns ovos ali pelas redondezas e assim matámos a galga que já se fazia sentir, após aquela última e saudosa pescaria junto á azenha dos meus Avós. Havia e há ainda hoje uma coisa que me fazia, faz confusão, como é que havia tanto sabão no rio? Naquele tempo a roupa de trabalho incluindo a interior era para uma semana de segunda a sábado, só depois do grande banho tomado dentro dum alguidar aos Domingos antes da Missa é que havia nova roupa, nova é como quem diz, era a roupa Domingueira que era lavada uma vez por ano, para não se estragar, (sim que o lavar também estraga, dizem) e no dia seguinte, (segunda feira) lá se vestia a roupa tirada no sábado já lavadinha e engomada, uma festa!
Mas dizia que uma coisa me intrigava, como morava ali mesmo próximo dos lavadouros assistia ao vai, vem, das Mulheres que lá iam lavar a roupa, e o curioso é que muitas delas passavam muitas vezes com os alguidares cheios de roupa, para cima e para baixo, ora se como disse anteriormente a roupa era tão pouca, com o é que elas lavavam tanta? Pois eu tenho uma explicação, a roupa era sempre a mesma, ia e vinha, elas iam dar á língua, e como naquele tempo tudo ficava mal, especialmente ás Mulheres, estas iam equipadas como se fossem lavar a roupa, não só para os Maridos ciumentos mas também para as vizinhas faladoras, achei esta explicação pela prática que fui adquirindo ao longo de tempo quanto á capacidade faladora das Mulheres, tenho aqui duas que falam por um regimento, porra que é dum gajo fugir, Ó Mulheres da minha Terra, agora com esta conversa devem estar a preparar-se para me darem uma tareia, então preparem-se que amanhã estarei aí, fiquem bem!




