sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Estação Agronómica Nacional - Oeiras

Ontem fui caminhar á volta da Estação Agronómica Nacional, situada em Oeiras, tendo começado essa caminhada junto a Cacilhas segui pela Lage, Arneiro, Sassoeiros, Quinta das Palmeiras, Oeiras e regresso ao local de partida, foram cerca de seis quilómetros sempre á volta da Estação, que tem uma área de 130 hectares, é obra, saí como é costume ainda o Sol vinha a caminho, pelo que as primeiras fotos, não ficaram grande coisa, fui Observando e conversando com os meus botões, e cheguei á conclusão (que pode estar errada admito) que não se tem visto grandes descobertas para melhorar a nossa Agricultura, aqui nesta grande casa, pelo menos não me recordo de alguma vez terem descoberto algo que valesse a pena, talvez que os nossos melhores crânios emigrem, não sei, andei depois a pesquisar na Internet, e quase nada aparece referindo a Estação, muito menos alguma descoberta  de valor, espero que não seja mais um armazém de desocupados que ali está.

Este ano foi um ano muito mau para a produção do vinho, aconteceu que o míldio atacou em força e ouve produtores que não vindimaram, tal a razia que aconteceu, sei que alguns produtos para o combate das pragas se esgotaram, e os Agricultores andaram a falar sozinhos na tentativa de conseguirem comprar esse químicos., e não ouvi uma palavra desta Instituição, que parece ter sido criada para dar apoio á Agricultura, mas em compensação parece que as vinhas que ficam dentro dos seus terrenos não tiveram moléstia, e ainda bem, pois aquilo é para produzir uma pomada que não é acessível a qualquer bolsa, fala-se por aqui que uma garrafa anda por 50 Euros é obra, por acaso ofereceram-me uma garrafa, ( um Amigo meu está já a pensar que foi o Dr. Isaltino) mas desenga-te porque foi uma Irmã minha, já foi á uns meses mas ainda não provei para dizer de minha justiça, embora não seja conhecedor da matéria, sei pelo menos apreciar se está ou não azedo.

Vi também cavalos a pastar por lá, consta que serão de um particular que teve autorização para lá os colocar, ou então foi a Cordoaria Nacional situada em Alter do Chão que para aqui transferiu a cavalaria, vi pelo menos duas manadas ao longe, pelo que não identifiquei se eram de  raça Lusitana ou outra, ( se fizerem duplo clique nas fotos, verão dissimulados pelas árvores os cavalos que aqui descrevo). Observei também as diversa áreas de vinhedo, que estão em grande expansão, não vi sementeiras, ainda é cedo para isso, e mais não vi, a quinta é enorme e não entrei la dentro, o que vi foi das estradas Publicas.

ESTAÇÃO AGRONÓMICA NACIONAL
A Estação Agronómica Nacional(EAN) MH MA é uma entidade de investigação científica cujos estudos visam a resolução de problemas concretos da agricultura nacional , e a descoberta de novos caminhos para melhorar a qualidade de vida humana.
Localiza-se no concelho de Oeiras, onde ocupa uma área de 130 hectares, juntamente com outros organismos do Estado


"VINHO CONDE DE OEIRAS"
 VINHO  DE CARCAVELOS  “CONDE DE OEIRAS” foi distinguido com o Prémio Aurum – Vinho com Tradição pela CEUCO – Conselho Europeu de Confrarias Enogastronómicas. A entrega deste Prémio decorreu no dia 6 de Novembro, no VII Congresso Europeu de Confrarias Enogastronómicas, em Bordéus, França. Em representação da Câmara Municipal de Oeiras esteve a vereadora Madalena Castro, responsável pelo Pelouro do Ambiente (espaços verdes).
 O vinho de Carcavelos é um vinho generoso, categoria que partilha com vinhos como os do Porto, o Madeira e os moscatéis de Setúbal e Favaios.
A Câmara Municipal de Oeiras tem vindo a fazer, ao longo dos últimos anos, significativos investimentos no âmbito de uma estratégia de promoção e futura comercialização do vinho de Carcavelos marca “Conde de Oeiras”.
Na Quinta do Marquês de Pombal, com cerca de 135 hectares de área total, existem 12,5 hectares de vinha que este ano já permitiu produzir aproximadamente 35 mil litros de vinho.
 Entre 2007 e 2009 a autarquia investiu já um total de um milhão e 700 mil euros na vinha e no vinho de Carcavelos, contemplando a aquisição de produtos, o equipamento e consumíveis, o acompanhamento enológico e a plantação de cinco hectares de vinha.


Em Novembro de 2009 foi criada a Confraria de Enófilos do Vinho de Carcavelos com o objectivo de estudar, promover, divulgar, valorizar e defender o Vinho de Carcavelos.
A distinção com o Prémio Aurum – Vinho com Tradição, além do enorme prestígio associado, vem ao encontro da intenção da Câmara Municipal de Oeiras de fazer do vinho de Carcavelos um dos principais símbolos do concelho.

Para terminar três fados, dos três Irmãos Moutinho: Camané, Pedro e Hélder, nascidos e criados em Oeiras.







 



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Descontar pecados

Estou a tentar redimir-me dos pecados que cometi ao longo da minha vida, para isso arranjei uma maneira que me pareceu simpática de ir descontando uns tantos, sem ter que ajoelhar, o que acontecia se por exemplo tivesse que ir á Missa, é que ajoelhar ainda vai, mas para colocar novamente o esqueleto na vertical aí já a coisa fia mais fino, é que para baixo como diz o ditado: «todos os Santos ajudam»» já para cima é mais complicado, com as dobradiças enferrujadas como estão, rangendo como um velho portão, não é fácil, então o que estou  a fazer para limpar o cadastro dos pecados? exactamente (como já devem ter reparado) visitar Igrejas,  e similares. São Pedro que como sabem é o guardião do Céu, já me disse que provavelmente  não irei a tempo da redenção, pois a meta é já ali, mas que não perco nada em ir tentando, pois mesmo que o Céu me esteja vedado, tenho ainda a alternativa do purgatório que sempre é melhor que ir directamente para o Inferno.
Há ainda uma razão acrescida para este meu combate! a competição em que me empenhei recentemente, e que se traduz no seguinte., serei eu a chegar primeiro á meta da redenção, ou o Ministro das Finanças a levar-me á falência, aceitam-se apostas.

Esta explicação prévia vem a propósito de mais uma visita que fiz,  desta vez á Sede do meu Conselho - Alenquer,  lá fui fazer a minha caminhada matinal e solitária, percorrendo  a Vila Alta, parti junto  ao Rio; e até chegar ao Convento de São Francisco cá no Alto, já é uma boa penitência, pois a inclinação é de se lhe tirar o chapéu,  nesta parte da Vila existem Igrejas e também um Convento, só que não consegui ver os interiores pois estavam fechadas, de qualquer modo fotografei o que pude, embora o nevoeiro não tenha ajudado na qualidade das fotos, e fiz uma visita  ao Cemitério, este aberto ao contrario das Igrejas, provavelmente á espera de algum voluntário para preencher algum pedaço de terra ainda vago, e dentro deste a Capela da Sãozinha,  nascida em Coimbra e tendo sido criada em Abrigada,- Alenquer, tendo vindo a falecer no Hospital de São Luís em Lisboa com apenas 17 anos, em 1940, e aqui sepultada, a partir daí e devido á bondade da Menina logo se começou a falar dos seus milagres, o que ainda hoje acontece, passados que são setenta anos da sua partida.

É com os olhos postos nestas Pessoas bondosas que espero então a redenção, ao contrário do que pensarão alguns /As  que me julgam um herege,  tantos são os pecados acumulados nesta vida de pecador que tenho levado, chegou o momento da conversão, agora com mais afinco que a Capela que aqui colocaram junto ao local onde habito, está quase operacional após obras de restauro (quase basta estender o braço para lá chegar), pois fica a escassos cinco metros, não mostro em fotografia porque não vá o Padre levar a mal, e não me atrevo a ser novamente excomungado, agora que estou bem encaminhado para o perdão.
A seguir um pequeno resumo da Historia de Alenquer, com a promessa que não vou parar de mostrar Igrejas, por fora ou por dentro conforme estejam abertas ou fechadas, hoje mesmo entrei em duas, na Capital, foram mais uns pecados a menos, que tenho de expiar.




ALENQUER

         Terra fértil e de grande valor estratégico, entre a Serra do Montejunto e a margem direita do Tejo, foi a região de passagem e ocupação por parte de inúmeros povos que habitaram a Península Ibérica.
São em grande número os vestígios arqueológicos que atestam a presença de habitantes, desde o Paleolítico à "Idade dos Metais", da ocupação Romana à Árabe.


Alenquer foi conquistada aos Mouros pelo Rei D. Afonso Henriques no dia de S. João, em 1148, somente depois da queda de Lisboa e Santarém, assinalando-se ainda nessa época (sec. XII-XIV), os primeiros forais de Vila Verde dos Francos, Aldeia Galega da Merceana e Alenquer, três municípios medievais de cuja fusão, em meados dos sec. XIX resultou o actual concelho de Alenquer.

No reinado de D. Sancho I, a vila de Alenquer foi doada à Infanta D. Sancha, passando desde então a ser considerada pertença da Casa das Rainhas, o que frequentemente associará a sua historia a acontecimentos importantes e a personagem de destaque da vida nacional.
Durante a crise 1383-5, a Rainha D. Leonor Teles aqui se refugia após a morte do Conde de Andeiro, facto que, segundo a crónica de Fernão Lopes, leva o futuro D. João I a intervir de modo bastante severo, destruindo os cunhais da torre de menagem do castelo.

No período áureo do sec. XV e XVI nasceram ou viveram em Alenquer personagens ilustres, como cronista Damião de Goes, o navegador Pêro de Alenquer, o vice-rei de Índia Afonso de Albuquerque, o poeta Luís de Camões e o aventureiro Salvador Ribeiro de Sousa, que foi rei de Pegú (actual Birmânia) e que está sepultado nos claustros do oratório de Santa Catarina em Alenquer. Também o Prior de Crato encontrou acolhimento na vila durante o seu efémero reinado, antes da ocupação de Portugal por parte dos Filipes de Espanha.”


  

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Falando de Bosta

Estamos «quase» todos num momento crucial da nossa História, desta vez não foram os Filipes de Espanha a ocupar  o Pais, este foi cercado por outras forças invisíveis, ou melhor sabemos quem são mas não onde estão, é o vil metal sem Pátria a liquidar os ganhos entretanto atingidos nas ultimas décadas pelos que produzem riqueza graças ao seu trabalho, é a vingança do capital sobre o trabalho que se está a concretizar, consideraram que já tínhamos conquistado regalias a mais e produzido de menos, e vai de cutelo nas cabeças dos atrevidos, e os que escaparem da matança, vão ser reclassificados em apanhadores de bosta, que é o único serviço que resta.

E para que não julguem que isto é trabalho de menor importância, vou contar~lhes como é, pois cá o Rapaz fez o tirocinio nesta nobre arte de apanhador de bosta.
Tomando o meu exemplo como eficaz, a seguir se indicam os passos a seguir:
Colocam-se as cavalgaduras a pastar junto a um Rio, de preferência com águas bastante poluídas, nestes locais as ervas crescem em abundância, o que traz economia na sua alimentação, por sua vez a água poluída provoca uma verdadeira revolta nas tripas dos quadrúpedes, obrigando-os a evacuar dezenas de vezes por hora, tudo somado ao fim do dia temos por cada cavalgadura qualquer coisa como uma arroba de um produto de elevado valor calórico, para as sementeiras que os sobreviventes terão de fazer para conseguirem ter algo que dar ao serrote, senão, não morrem do mal, morrem da cura.

Ora estarão a pensar que o Gajo que escreveu estas barbaridades está gaga, e esta situação nunca acontecerá, pois bem, foi trabalho que fiz, e pelo que o meu Amigo Tintinaine escreveu á dias no seu blog, também  se especializou nesta nobre arte da apanha da bosta, a única diferença foi que a ele calhou-lhe bosta de gado muar, e a mim de cavalar.
Tinha eu idade ainda para andar descansadinho de calções, a jogar ao pião ou á apanhada (os luxos de então) que isso correspondia aos meus doze anos, mas antes trabalhando na quinta da Meirinha numa propriedade de um grande latifundiário da minha região, de seu nome: Rui Abreu Correia, mais conhecido por Rui do Rato, junto ao Carregado do nascer ao pôr  do Sol, onde no Verão se  ia a casa uma vez por semana, com a cara feita num bolo devido ás picadas das melgas, (o  dormitório era na rua junto ao que resta daqueles dois grandes barracões que se vêm numa das fotos) e o trabalhinho consistia em apanhar a bosta que as bestas iam largando junto ao Tejo, e quando a maré começava a encher tínhamos de andar em marcha acelerada, para que esta não levasse para o Rio aquele precioso bem, preparem-se Juventude porque o caminho que levamos não nos garante que essa nobre arte de apanhador de bosta não regresse. Por mim já apanhei a que tinha de apanhar, pois as dobradiças, já não me permitem andar dobrado o dia inteiro, e vou assistir de camarote ao fim de festa que se aproxima, aplaudindo os actores que nos prometeram o Céu, e nos dão o Inferno.







sábado, 15 de outubro de 2011

Nicolau Santos

Pela sua clareza e actualidade mostro aqui um artigo publicado hoje no Jornal Expresso e da autoria do Jornalista Nicolau Santos, com a devida vénia e sem mais comentários.

UMA RAIVA A NASCDER-ME NOS DENTES

Sr. Primeiro Ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho V.Exa. dirá que está a fazer o que é preciso. Eu direi que V, Exa. faz o que disse que não faria, e faz sempre contra os mesmos. V. Exa. disse que era um disparate a ideia de cativar o subsidio de Natal.
Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011.
Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013.
Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. Alista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V. Exa. diz que as medidas são suas, mas o défice não. É verdade que o défice não é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas são suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível punição sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até á ultima gota a cicuta que há-de conduzir á redenção.
Não há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola apontada á cabeça.
E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse de forma incondicional ao lado do seu povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até á ultima gota de sangue.
O que eu esperava do meu primeiro -ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar.
O Que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o sacrifício de povos centenários, que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos-- mas que precisa de mais tempo, melhores condições e mais algum dinheiro. Mas V.Exa. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes directores-gerais da troika; e não
  têm a menor noção de como estão a destruir a delicada teia de relações que sustenta a nossa coesão social; não se preocupam com a emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita que tão mal está a provar na Grécia terá excelentes resultados aqui.
Não terá. Milhares de pessoas serão lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e dentro de dois anos dir-nos ão que não atingimos os resultados porque não aplicámos a receita na integra.
Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes.




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fui assaltado

Ontem escrevi sobre gatunos, estando longe de pensar que ia ser assaltado, mas infelizmente foi isso que aconteceu, só que por ladrão oficial, quer dizer encartado, e dos que não respondem criminalmente pelos assaltos que praticam.
Ao dirigir-me hoje de manhã ao café para colocar a máquina em funcionamento, com a «bica» da ordem, e ao lamentar-me do assalto que estava a ser vitima, vejo a reacção de regozijo do meu interlocutor, pois quem estava a ser «roubado» eram os malandros dos Funcionário Públicos, e isso era motivo de regozijo para »todos» os Portugueses escravizados por esta corja de calões, e outras coisas que não digo por pudor, chamei-lhe a atenção que a sua gaveta dos Euros ia ficar mais pobre, pela minha parte iria beber o café em casa que fica mais barato, o que o obrigou a mudar o discurso. Esta reacção levou-me a escrever umas linhas sobre o que foi o meu percurso como Funcionário Publico, de que me orgulhei, até ontem, dia em que me arrependi profundamente de ter acreditado que o Estado era dirigido por Pessoas de bem, e cumprindo com o acordado com os Cidadãos seus Trabalhadores.
Mas vou começar pelo ,início como mandam as boas regras: quis o destino que me tenha tornado Funcionário Publico, não para ganhar bem, mas por necessidade, isto aconteceu no já longínquo ano da graça de 1976, estando eu, desempregado devido ás convulsões que se seguiram ao golpe de Estado de 1974. Nessa altura trabalhava para um empreiteiro da C.R.G.E. hoje E.D.P. na reparação da iluminação Publica do Conselho de Oeiras, e em 1975 quando terminou o contrato com essa empresa tinha o vencimento de 7.500 Escudos, quando fui para os Serviços Municipalizados fui ganhar 5.600 Escudos, como se vê não eram ordenados chorudos os que pagava o Estado.

Fui trabalhar com a categoria de servente, para as Estações de bombagem de esgotos, por turnos, mas sem o respectivo subsidio, ou qualquer acréscimo no vencimento, pois nesse tempo ainda não estava em vigor a lei que o permitia, trabalhei sempre com o mesmo empenho que tinha tido noutros trabalhos anteriores,  mas espreitando uma oportunidade de melhorar o ordenado, pois havia dois Filhos com um terceiro no horizonte, até que essa oportunidade chegou, via Instituto Nacional de Administração, sediado nav.de Berna em Lisboa, e hoje com sede no Palácio do Marquês em Oeiras, para trabalhar como motorista, como nesse tempo só tinha carta de condução amador, fui a correr tirar a profissional, pois a melhoria salarial proposta exigia que o fizesse rapidamente, o que aconteceu, com a garantia de novo trabalho em perspectiva fui falar com os responsáveis dos Serviços dando-lhes conta da minha intenção de mudar de ares, foi-me então dito que estavam a contar comigo para o lugar de Encarregado, lugar esse ocupado pelo Eng. Maia, que ia para outro cargo, o único senão era não me poderem dar a categoria de Encarregado pois isso era obrigatório ser por concurso externo, que iriam abrir brevemente, enquanto isso não acontecesse ficaria com a categoria de Capataz, aceitei as condições e fiquei no lugar.

Em 1981 foi finalmente aberto o concurso para Encarregados, para as Águas da Amadora e Barcarena, Saneamento de Algés e Oeiras e para As Estações elevatórias, concorreram onze  Candidatos, tendo ficado aprovados cinco, fui um destes, a partir daí foram-me distribuídas diversas funções, fora do âmbito das Centrais de Esgotos, tais como lavagem de depósitos, toda a limpeza e conservação de todas as instalações de Centrais e Depósitos de águas  todas as centrais de águas e esgotos, sobrepressoras, açudes, cloragem das águas, etc. e montar de raiz uma Oficina de manutenção e reparação de todo o equipamento electromecânico dos Concelhos de Oeiras e Amadora, para tal foi-me dada carta branca para escolher dois Elementos da Oficina existente, (que entretanto terminou as funções que passaram para nós) desses dois ficou um, os restantes elementos já trabalhavam na Secção, como Operadores de Estações Elevatórias e foram reclassificados para as funções de Mecânicos-Electricistas, o que se provou ser boa solução, pelo seu empenhamento, disponibilidade e aprendizagem de novos métodos e tecnologias, estes também não mereciam este presente do ora Primeiro Ministro, e não posso excluir aqui o meu Chefe directo do qual tive todo o apoio para levar a bom porto a tarefa, e que sempre foi dos que chegava primeiro ao seu lugar de trabalho, e o último a sair, apesar de ter isenção de horário de trabalho, prática que ainda hoje mantém segundo julgo saber.

Entretanto, com Pessoal motivado, e vendo o seu trabalho apreciado tanto dentro como fora dos Serviços, fomos postos á prova com trabalhos de montagem de Centrais de raiz, primeiro por falência da empresa contratada para o fazer, e depois por a primeira ter corrido bem, nesta altura e devido á dispersão dos locais de trabalho que já se estendiam não só a Oeiras e Amadora mas também a Sintra, foram a concurso dois elementos Operadores de Estações Elevatórias para Encarregados que passaram a coadjuvar-me nos trabalhos de Operação de Equipamento,  Limpeza e pinturas de equipamentos e Edifícios, tendo eu concorrido ao lugar de Encarregado-Geral, por concurso externo de Fevereiro de 1989, tendo ficado aprovado nas provas a que fui sujeito, tendo tomado posse nesse ano.

Em meados dos anos noventa, concretamente em Junho de 1995 é criada a Empresa Multi-Municipal Sanest, Saneamento da Costa do Estoril, que congrega as Câmaras de Oeiras, Amadora, Cascais, Sintra e Águas de Portugal, fui convidado pelo Director de Exploração Eng. Frazão para ir para a Empresa, não se falou em números concretos de vencimento, mas aflorou-se um número, e posso dizer que era mais do  dobro do que ganhava nos Serviços, mas não aceitei, esta secção era ainda uma criança que ajudei a nascer, e não podia ir embora enquanto não soubesse andar pelo seu próprio pé, mantive-me no posto até á aposentação, (embora os últimos anos fossem penosos, mas isso são contas doutro rosário), ontem arrependi-me profundamente, não ter aceite ir pregar para outra freguesia, não por ser mal tratado onde fiquei, antes pelo contrário, mas porque assinei de livre vontade um contrato com o Estado, cumpri escrupulosamente a minha parte, e esse Estado ontem veio trair a confiança que nele depositei, ao co-assinar esse contrato que agora rasgou.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Estamos Lixados

Hoje tal como quase sempre saio de casa ainda noite escura para fazer a minha caminhada, saí direito a P. Salvo e reparo que uma Vizinha que tinha acabado de sair de casa, olha para trás e regressa, o Marido que estava por dentro do portão do jardim, tinha ficado a vê-la partir, fica ali com ela até eu me aproximar mais e verem quem lá vinha, cumprimentámo-nos e ela diz-me que tinha voltado para trás ao ver-me porque não me reconheceu, e que andava com muito medo porque tinha sido assaltada na Terça-Feira em P. de Arcos, e contou-me que por lá têm sido quase diários os assaltos, até no passeio Marítimo, local onde por norma circulam muitas Pessoas. Disse-me que ia partir para Fátima, acompanhei-a mais uns metros onde ela tinha o carro e cada um seguiu o seu destino, eu durante a caminhada fui pensando, ao que isto chegou, uma Pessoa tem que andar despojado de qualquer valor, com receio de ser assaltado.

O País dos brandos costumes está transformado num faroeste, diziam-me que este «Rectângulo á Beira Mar Plantado» era um Oásis, o clima era uma maravilha, podíamos andar na rua a qualquer hora do dia ou da noite sem medos, tínhamos uam economia próspera onde até os Velhos tinham um Lar á sua espera e funeral pago, e agora tudo isto ruiu, já não bastava os assaltantes de luva e colarinho branco terem levado o País á ruína, como agora tudo o que é ladrão por esse Mundo fora assentou arraial por cá, estamos lixados.

O Clima é o que se vê, em pleno Outono, Praias cheias de desocupados, ou com ocupações de faz de conta, que em casa não se aguenta esta torreira, andar na rua tornou-se uma aventura, nunca sabemos se atrás daquela árvore ou automóvel não se esconderá um gatuno para nos retirar alguma coisa de valor que tenhamos connosco, a Economia já foi, restam uns míseros patacos que não chegam para mandar cantar um Cego, os Velhos têm á sua espera não um Lar mas um banco de jardim forrado com algum cartão retirado de caixa sem uso, e resta o Funeral, esse sim há-de ser pago, nem que a Família tenha que vender os últimos trapos que lhes restam, pois somos um Povo Cristão e não pode ficar ninguém por cá já cadáver, não vá a coisa começar a feder, quanto á saúde, cada qual que aguente a que tem, porque o Estado já não nos pode valer.

Mas de tudo isto o que me deixa mais á beira dum ataque de nervos é a falta de segurança, são assaltos ás Pessoas para lhe retirarem muitas vezes, nada, Caixas ATM ou Multibanco, Ourivesarias, Super-mercados, Casas isoladas ou acompanhadas já tanto faz, e onde pára a Policia? ou melhor dito os responsáveis pelas Policias? onde estão o comandante-Geral da G.N.R. o Director Nacional da P.S.P. ? ou o Ministro que tutela as Policias? será que ainda não se aperceberam que Portugal está transformado num covil de ladrões e assassinos? andam todos ocupados com a economia que não lhes sobra tempo para nos virem explicar o que pensam fazer para pôr cobro a esta situação? ou já estão convencidos que não há volta a dar, e vamos ter que viver com o credo na boca em permanência, se assim é, boa tarde, vou ali já volto.